Geração EU
Por Chaim Ratz
Traduzido de: Kaballah Today Issue # 14
Na nossa geração – geração “EU” – toda a pessoa é única. Mas a verdadeira arte é saber como ser única.
Nos anos 80, Douglas Coupland popularizou o termo "Geração X", referindo-se à nova geração. Este rapidamente se tornou um tema quente e uma cultura pop formada em torno da noção de procurar decifrar as qualidades únicas da nova geração. Indo além da mera curiosidade, o interesse pela nova geração foi alimentada por corporações gigantes que se esforçaram por encontrar a melhor estratégia de marketing para milhões de jovens Geração X.
Hoje, apresentamos a Geração “I”, a geração que está tipicamente preocupada com uma coisa só – consigo mesma!
iPod, iTunes, iPhone, iLife, iPhoto, iDVD, iMovie e iWeb todos demonstram que a Apple Inc. e o seu CEO brilhante, Steve Jobs, descobriram a tendência “I” da nossa geração, e mais importante, a maneira de comercializar produtos a uma geração que vive e respira “I”. A Apple acertou em cheio, colocando o consumidor “I” no centro da sua estratégia de marketing.
Numa perspectiva mais alongada, é fácil ver que o iPod e outros "i-aparelhos" não são mais do que exemplos de um processo muito mais abrangente que está a acontecer hoje. As pessoas estão a ficar obcecadas com elas mesmas, como prova a popularidade enorme dos “reality shows”. E a “I” moda não se limita a ditar as estratégias de comunicação dos media e corporações gigantescas, mas também aparece em todos os domínios da vida.
Por que é que isto está a acontecer? De onde é que um sentimento tão intenso de singularidade, característica da nossa geração, vem? E há alguma maneira de usá-lo como trampolim para a mudança positiva?
A Centelha
"A qualidade de singularidade estende-se até nós directamente do Criador, que é único no mundo e é a raiz de todas as Criações."
Cabalista Yehuda Ashlag (Baal HaSulam),
“Paz no Mundo”
No seu artigo, "Paz no Mundo", Baal HaSulam explica que o sentimento de exclusividade está presente no coração de cada pessoa. Isto porque os seres humanos originam do Criador, e como o Criador é Uno, Único e Unificado, nós também sentimos que somos singulares e únicos.
Mas nem sempre nos sentimos assim. Originalmente, no momento da nossa criação, todos nós fazíamos parte de uma entidade colectiva chamada de "a alma comum." Esta foi a criação exclusiva do Criador e era inseparável e unificada com Ele através de laços de amor. Mas, quando essa alma comum começou a se desenvolver, foi dividida em almas individuais e faíscas dessa alma inicial "vestiram" corpos físicos.
Esta é a forma como foi formada a nossa realidade, onde cada pessoa tem uma faísca única e individual da alma comum. Esta centelha inspira-nos a restabelecer a nossa adesão prévia com a sua fonte, o Criador. Mas até que nos tornemos conscientes dessa aspiração e aprendermos a maneira correcta de realizá-lo, nós só a percebemos como uma crescente qualidade de exclusividade.
"Uma vez que a alma do homem, se estende do Criador – Uno, Único e tudo é Seu – assim a pessoa que se estende Dele, também sente que todas as Criações do mundo devem estar sob a sua governação e existem para seu próprio benefício... E toda a divergência entre as pessoas é de sua escolha: Um, escolhe explorar os outros atingindo desejos menores, segundo para realização de poder e terceiro para alcançar honra".
Cabalista Yehuda Ashlag (Baal HaSulam),
“Paz no Mundo”
Baal HaSulam explica que o problema é a maneira como usamos a nossa qualidade de exclusividade - para benefício pessoal, ignorando como ela afecta os outros. Muitas vezes, usamo-la deliberadamente, em detrimento dos outros. Na verdade, o uso egoísta da nossa qualidade mais elevada é realmente a causa de todos os males do nosso mundo!
"Embora tenhamos esclarecido a sua razão sublime e elevada: a de que essa qualidade se estende a nós directamente do Criador... todavia, uma vez que a sensação de unicidade se estabeleceu no nosso egoísmo limitado, a sua acção tornou-se a ruína e a destruição, na medida em que, ela é a fonte de todas as ruínas passadas e futuras do mundo. "
Cabalista Yehuda Ashlag (Baal HaSulam),
“Paz no Mundo”
Numa encruzilhada
Existe algo que possamos fazer para mudar o nosso egoísmo, o uso destrutivo da qualidade de exclusividade? Baal HaSulam diz que existe.
Ele explica que o Criador nos leva a uma encruzilhada e deixa-nos escolher qual o caminho a tomar. Por outro lado, podemos canalizar a nossa qualidade de exclusividade para dar e cuidar dos outros. Ao fazermos isto, usamos essa qualidade da mesma forma que o Criador e assim, eliminar o fosso que nos separa Dele.
No entanto, mesmo sem estarmos cientes disto, a maioria de nós escolhe a outra alternativa: usando a qualidade de exclusividade para nosso próprio bem. Por outras palavras, nós desejamos ser melhor que os outros, e ao fazer isto, aumentamos a alienação entre nós. Baal HaSulam ilustra a gravidade desta situação com a seguinte metáfora:
O nosso corpo é feito de biliões de células, onde cada célula opera de forma autónoma, realizando a sua própria e única finalidade. Embora as células funcionem como unidades individuais de "auto-benefício", elas estão unidas por um objectivo comum - fornecer vida e energia a todo o corpo. Cada célula tem o seu próprio interesse, mas dá mais valor ao objectivo comum e é por isso que o corpo permanece vivo.
No entanto, assim que uma célula pára de funcionar em benefício de todo o corpo e começa a trabalhar apenas para seu próprio bem, ela começa uma reacção em cadeia chamada de "cancro." As primeiras células cancerosas infectam outras células com a sua tendência "egoísta", causando uma desintegração do corpo inteiro.
E aqui reside o problema da nossa sociedade moderna: A doença do "interesse pessoal" está a espalhar-se por todo o corpo colectivo da humanidade, mesmo neste momento em que falamos.
O Caminho
"Na verdade, há dois lados nesta moeda de singularidade, pois se olharmos para ela do lado da sua equivalência com o Único e Uno do mundo, ela funciona apenas sob a forma de “dar aos outros”, tal como o Criador é todo dá e não tem nada na forma de recepção...
Assim, a singularidade que se estende Dele até nós, também deverá actuar apenas na forma de dar para com o outro e nada de auto-recepção que seja. "
Cabalista Yehuda Ashlag (Baal HaSulam),
“Paz no Mundo”
Nós não precisamos de reprimir a nossa qualidade inerente de singularidade, a fim de tornarmo-nos "as células saudáveis" do corpo humano colectivo; na verdade, nós não poderíamos fazê-lo mesmo que tentássemos. Nós simplesmente precisamos aprender a usar essa qualidade da maneira correcta. Isto significa mudar a intenção por trás das nossas acções de "auto-benefício" para "dar aos outros."
Ao fazer isto, tornamo-nos semelhantes ao Criador, já que o Criador é puro dar. Uma pessoa começa a subir a escada espiritual, retornando á sua fonte. E quanto maior é a escalada, mais se alcança a qualidade de dar do Criador, até se tornar igual a Ele.
Portanto, a qualidade de singularidade é a coisa mais maravilhosa que cada um de nós tem: quando a dotamos com a intenção de amor e dar para com os outros, ascendemos a um nível completamente novo de existência - o nível do Criador.
E quando o homem se torna como o Criador, ele cumpre o papel da sua alma individual no puzzle da alma comum, e torna-se Uno, Único e Unificado.
Da Geração Eu – para Geração Nós
Cabala sugere que a melhor maneira de irmos da Geração Eu, onde todos se sentem alienados e hostis, para a Geração Nós, onde nos sentimos conectados e seguros - é através de um novo tipo de educação. Acredite ou não, um dos principais meios de educação é os jogos de crianças!
Os jogos que as crianças jogam hoje, na Geração Eu, são todos jogos sobre vencer, por ser o mais rápido ou o mais inteligente, ou simplesmente por ser o "melhor do que qualquer outra pessoa." Para sair daqui para a Geração Nós, os pais podem incentivar os filhos com jogos onde o vencedor é aquele que é o melhor a conectar-se com os outros.
Desde tenra idade, as crianças irão aprender sobre as vantagens de estarem conectadas aos outros e desenvolverão uma mentalidade de harmonia com a natureza, onde tudo já está harmoniosamente interligado.
Além de mostrar às crianças que nós ganhamos por conectarmo-nos com os outros, estes jogos também devem mostrar que, sem essa ligação, nós falhamos. Os jogos irão mostrar à criança que ser o melhor, triunfar e vencer, só acontece quando todos ganham. Isto irá ajudar as crianças a fazerem essa transição interna de Eu para Nós, eles irão ganhar juntamente com todos os outros.
Estes jogos e os sistemas educacionais podem abrir o caminho para uma mentalidade nova e interligada, adequada para o século 21. Os nossos tempos de crescente globalização, juntamente com o crescente egoísmo, exigem que a transição ocorra a partir da mentalidade de "Eu" para a mentalidade de "Nós". Através de jogos que permitam tal transição, as crianças e os pais vão também aprender uma verdade fundamental: vencer só pode acontecer em conjunto, não quando se está sozinho.
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