Crónicas da Cabala
Traduzido de: Kabbalah Today issue #1
O Rambam (Maimonides) escreveu que quando o todo da humanidade estivesse profundamente envolvido em idolatria, um homem não conseguiria ir pelo mesmo caminho. Seu nome era Abraão. Ele ponderou e pesquisou até que descobriu a verdade: que o mundo tinha apenas um líder. Quando ele descobriu isto, ele apercebeu-se que tinha descoberto a verdade eterna da vida correu para contar ao mundo. Desde então, o mundo tem um método que revela esta verdade. Hoje este método tem um nome diferente - "Cabala" - mas é essencialmente o mesmo. Se abrirmos o nosso coração a ela, ela irá ensinar-nos porque acontecem as coisas e como as podemos melhorar.
Passado
No Capitulo Um de A Poderosa Mão, O Rambam (Maimonides) descreve como houve um tempo em que as pessoas sabiam que havia apenas uma força una governando o mundo. Ele explicou que em tempos todos o tinham esquecido, ninguém sabia esta verdade e as pessoas acreditavam que haviam muitas forças no mundo, cada uma com as suas responsabilidades - de comida, reprodução, riqueza, saúde, etc. Mas um homem simplesmente não conseguia compreender como todas estas forças seguiam o mesmo ciclo e obedeciam às mesmas regras de aparecimento e desaparecimento, vida e morte. Através da sua pesquisa na natureza, este homem, que agora conhecemos como Abraão, descobriu que na verdade havia apenas uma força e que todas as outras cosias eram manifestações parciais dela.
Assim que ele o descobriu, ele começou a espalhar a mensagem. Desafiado por ter de explicar um conceito que contradizia tudo o que os seus contemporâneos acreditavam, Abraão foi forçado a desenvolver um método de ensinamento que o ajudasse a revela-la a eles. Este foi o protótipo do método de ensino que agora chamamos "Cabala" (da palavra Hebraica Lekabel, receber). Hoje, a Cabala ensina-nos como descobrir a singular força orientadora e ao o fazer, receber alegria e prazer infinitos.
Mas a descoberta de Abraão não era coincidência; esta foi cronometrada perfeitamente a contra-atacar uma explosão de egoísmo que ameaçava destruir o estado de amor e união que a humanidade tinha vivido até aquele ponto. É isto que a Bíblia pretende dizer pelas palavras, "E toda a terra era de uma língua e uma fala"(Génesis 11:1).
União, ou altruísmo, é uma força poderosa - ela pode fazer seus utilizadores invenciveis. Até aquele tempo da Torre de Babel, esta era o modo de vida natural. Todos sabiam sobre a força una e estavam unidos a ela. As pessoas experimentavam-a como parte das suas vidas e não precisavam de trabalhar na sua união pois não tinham egoísmo que as separasse. Isto é o que a Bíblia pretende dizer com "uma língua" e "uma fala."
Mas assim que estes começaram a desenvolver egoísmo, eles quiseram usar a sua ferramenta mais poderosa - união - para seu beneficio próprio. Isto promoveu a preocupação do Criador: "E disse: Eis que o povo é um e todos têm uma só língua; e isto é o que começam a fazer; agora não haverá restrição para tudo o que eles intentarem fazer." (Génesis 11:6).
Para salvar a humanidade do seu próprio egoísmo, o Criador, a força una descoberta por Abraão, poderia fazer uma de duas coisas: dispersar a humanidade e então prevenir um conflito catastrófico de interesse pessoal, ou ensinar as pessoas como ultrapassar o seu egoísmo.
A ultima opção tinha um beneficio importante: ao aprender como unir apesar do seu crescente egoísmo, as pessoas ganhariam uma percepção mais profunda de ambas elas mesmas e do seu Criador. Elas teriam de estudar o Criador pois o seu presente nível de união se tinha desmoronado sob seu novo egoísmo. Então, elas teriam de obter uma maior "porção" de união directamente da fonte - a força unificadora da natureza, ou o Criador. E para o fazer, teriam de aumentar o seu conhecimento d'Ele.
É por isso que o Criador se revelou a Si mesmo a Abraão. É por isso também que Abraão era tal disseminador entusiasta do seu método. Ele sabia que o tempo era uma fugidio: ou ele ensinava o seu povo como se unir, ou eles se separariam.
Como aprendemos tanto da Bíblia e o texto antigo Hebraico, Midrash Raba, Parasha 38, os Babilónios repeliram a oferta de Abraão. Ele então escapou da Babilónia e começou a ensinar enquanto vagueava "de aldeia em aldeia e de reino em reino, até que chegou à Terra de Israel" (Maimonides, A Poderosa Mão, Idolatria Governa, Capitulo 1).
Apesar de muitas dificuldades e desafios, os ensinamentos de Abraão ganharam algum apoio e os que o apoiavam ajudaram-o a partilhar o conhecimento a outros, preenchendo as fileiras com "novos recrutas." Com o tempo, um lutador solitário pela verdade tinha crescido para uma nação cujo nome simboliza a coisa que tinham em comum: "a nação de Israel." Israel, como o grande Cabalista Ramhal explica no seu Comentário aos Escritos, é uma combinação de duas palavras: Yashar (directamente) e El (Deus). O povo de Israel são os que têm um desejo nos seus corações: o de ser como o Criador, unidos por altruísmo, ao contrário dos seus contemporâneos Babilónios.
O colapso da Torre de Babel não foi, porém, o fim da história, mas apenas o principio. O egoísmo da humanidade continuou a crescer porque o Criador ainda queria que as pessoas o ultrapassassem, e então ganharem uma consciência mais profunda de si mesmas e do Criador. Para os que queriam permanecer egoístas, isto significaria uma ainda maior alienação. Novas nações formaram-se e novas tecnologias criaram novas armas. Estas eram intencionadas a guardar as nações umas das outras ou para as subjugar. Mas para os que queriam ultrapassar o seu egoísmo e unir apesar dele, um melhoramento do seu método era necessário.
Esta foi a deixa de Moisés. Tal como no caso de Babel, a solução para o egoísmo intensificador era de lhe escapar. Mas Faraó não era simplesmente um rei mau. Ele na verdade trouxe Israel (os que querem o Criador) para perto do Criador. Na Cabala, Faraó é a epítome do egoísmo e a única forma de lhe escapar é a da união uma vez que, tal como vimos anteriormente, a união torna-o invencível pois esta torna-o mais próximo ao Criador. Para derrotar Faraó, Moisés voltou ao Egipto depois da sua fuga, uniu o povo à volta da mesma ideia que Abraão promoveu muitos anos anteriormente e uma vez mais ajudou o povo a escapar.
Mas desta vez, Israel derrotou um egoísmo muito mais poderoso. Faraó não era como Nimrod, Rei de Babel; ele não poderia ser derrotado por um homem determinado. Derrotar o Faraó requisitaria toda uma nação unida para o ultrapassar. E porque isto iria requisitar um ensinamento sistemático para toda uma nação, Moisés escreveu cinco novos livros (O Pentateuco), que são basicamente uma adaptação dos ensinamentos de Abraão para toda uma nação.
Mas isto não completou a vontade do Criador. Ele queria que todo o mundo soubesse que havia apenas uma força; foi por isso que ele o ensinou a Abraão, que então o trouxe aos seus companheiros Babilónios. Enquanto a Torah de Moisés foi um grande passo para a frente, uma vez que ela elevava toda uma nação ao contacto com o Criador, não era o fim da estrada. O fim da estrada irá chegar apenas quando todo o mundo esteja em contacto com o Criador, experimentando a união que os Babilónios da antiguidade criaram, antes da primeira explosão de egoísmo. Colocando-o de forma diferente, o final da estrada chegará quando toda a humanidade reclame o que em tempos teve e que perdeu. Esta reclamação é muito importante, uma vez que você só pode reclamar algo quando sabe o que é. Este é verdadeiramente o objectivo da criação: o de nos ensinar quem/o que é o Criador e que O reclamemos.
Presente
O "presente" começou há cerca de dois mil anos atrás, quando O Livro do Zohar foi escrito e então ocultado e Israel entrou no seu ultimo exílio. Tal como Abraão e Moisés no "anterior" estado tinham dois gigantes: Rabi Shimon Bar-Yochai (Rashbi) e o Sagrado Ari (Rabi Isaac Luria). O Livro do Zohar de Rashbi explicou as palavras de Abraão a uma nação inteira, O Livro do Zohar é intencionado a explicar as palavras de Moisés ao mundo inteiro. É por isso que está escrito em tantos sítios que o Livro do Zohar está destinado a aparecer no tempo do Messias, no "final dos tempos." É por isso também que Rabi Yehuda Ashlag, o grande Cabalista do século vinte, escreveu que a redescoberta do Livro do Zohar era prova de que os dias do Messias chegaram.
Como sempre, o único antídoto para o egoísmo que se intensifica é união. E quão maior o egoísmo, mais importante é que as pessoas se unam. Enquanto, que inicialmente, unir a família de Abraão era suficiente, quando Moisés escapou do Egipto, ele teve então de unir toda uma nação de forma a ter conseguir. Hoje, precisamos de unir toda a humanidade. Egoísmo alcançou tal intensidade que sem unir o todo da humanidade não haverá salvação para a humanidade.
O estado intermédio do processo de reconhecimento da humanidade do Criador foi muito diferente do primeiro. Foi um tempo de crescimento subtil, quando a ferramenta de unir a humanidade - a sabedoria da Cabala - estava a ser refinada e melhorada em quartos vagamente iluminados e em pequenos grupos imperceptíveis. É por isso que os mais significativos trabalhos desse período, O Zohar de Rashbi e a Árvore da Vida do Ari, foram ocultados assim que forma completados. Eles vieram à tona muitos anos mais tarde e no caso do Zohar, séculos mais tarde até.
Futuro
O "futuro" começou nos anos 90. Em 1945, Rabi Yehuda Ashlag, também conhecido como Baal HaSulam (Dono da Escada) pelo seu competente comentário Sulam (Escada) sobre o Livro do Zohar, previu que o ultimo estado da evolução espiritual da humanidade começaria em 1995. Similarmente, o Vilna Gaon (GRA) escreveu no seu livro, A Voz da Rola, que este estado começaria em 1990. Muitos outros Cabalistas fizeram previsões similares, levando à conclusão de que o futuro já chegou e agora é o tempo de finalmente derrotar o egoísmo e unir-nos como um.
A história inteira da humanidade consiste de batalhas contra o egoísmo e tentativas de união apesar dele. Hoje, maior parte dos cientistas concordam que o egocentrismo e incompreensão das leis da natureza são as causas de tudo o que está errado com o nosso mundo. Baal HaSulam escreveu sobre isso nos anos 30 e 40, mas naquele tempo, ele era uma voz no deserto. Nos recentes anos tornou-se evidente que se não mudarmos, o mundo não irá mudar para melhorar. Na verdade, estamos a arruinar o nosso planeta e sociedade de tantas formas que resolver os problemas separadamente não será possível. Para resolver os nossos problemas, precisamos de uma solução inclusiva e tal solução pode apenas ser encontrada quando transformarmos o nosso egoísmo humano em altruísmo.
No seu artigo, "Paz no Mundo," Baal HaSulam escreve que se nos unir-nos, todo e cada membro da humanidade irá pessoalmente experimentar o Criador no mais profundo sentido da palavra, pois está escrito que, "todos irão conhecer-me, do mais pequeno deles até ao maior deles" (Jeremias 31:33). A sabedoria da Cabala foi preparada como um método que pode fazer precisamente isso: unir e experimentar o Criador. Na sua "Introdução ao Livro do Zohar," Baal HaSulam escreveu que se integrarmos a Cabala nas nossas vidas do dia-a-dia, iremos completar o objectivo da nossa criação e iremos ser "de uma língua e uma fala" e unos com o Criador, para não mais nos separarmos.
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