A incapacidade de concentração, a incapacidade de prestar atenção, temperamento irritadiço, voltando-se à crueldade – vemos mais e mais crianças para as quais este tipo de comportamento se tornou normal. "Hiperactividade" – definimos o problema apropriadamente. Agora podemos até trata-lo. Substituímos Dexedrina com Ritalina, avançando para a ofensiva contra as nossas próprias crianças, tentando certificar-nos que não perdemos a nossa oportunidade bem no inicio para que não se desenvolva, para suprimir e a derrotar. Mas podemos nós derrotar esta doença apenas com comprimidos? Podemos nós derrotar esta doença lutando com os seus sintomas, e não com a sua causa? Além do mais, é ela sequer uma doença?
Recorde-se como no passado estes tipos de crianças eram poucas e afastadas umas das outras. Referia-mo-nos a elas como – pense apenas! – subdesenvolvidas, e elas eram trancadas em escolas especiais. O problema tomava conta de si mesmo: era raramente visto e então rapidamente esquecido – e continuamos a avançar corajosamente para um futuro brilhante. Hoje, porém, agora que o problema cresceu até proporções criticas – afinal, de acordo com algumas estimativas, até vinte por cento das crianças de idades entre os 6 e 16 sofrem de défice de atenção e hiperatividade – e dado que não há suficiente espaço para estas crianças em escolas especiais, foi decidido etiquetar a hiperatividade como uma doença.
Mas nem todos concordam.
Por exemplo, o psiquiatra Sydney Walker, autor de A Dose of Sanity, acredita que a hiperatividade não é uma doença, mas “um embuste perpetuado por médicos que não fazem ideia do que está verdadeiramente de errado com estas crianças” [Sydney Walker III, The Hyperactivity Hoax, 1998, pág.5]. A maioria, porém, assusta-nos com horríveis consequências deste síndroma – tais como doenças mentais e desenvolver uma disposição para a dependência de droga e comportamento criminoso. Isto carrega as óbvias implicações que se seguem: “Se não nos escutar agora – não nos chame mais tarde, então vai ser roubado, assassinado e violado. A culpa é sua, nós avisamos-o.” E então a linha de montagem está a trabalhar a todo o gás, produzindo drogas para suprimir, e por vezes até estropiar, o organismo jovem.
Na realidade, a acrescida (hiper – [como é frequentemente chamada hoje em dia]) actividade dos mais jovens não é hiperatividade de todo. É um estado normal de ser para uma geração que alcançou uma nova fase da evolução no desejo de receber prazer. A Cabala explica tudo isto de uma forma muito simples e acessível.
Na raiz de todas as nossas acções – independentemente de quais elas sejam! – está o desejo de sentir um preenchimento agradável no interior – referi-mo-nos à sua manifestação menor como prazer e à sua forte manifestação – deleite. Durante as nossas vidas subconscientemente, e por vezes até conscientemente, procuramos o maior preenchimento, durante todo o tempo tentando aplicar os menores esforços para o obter.
Neste sentido, a nossa presente geração não é diferente de quaisquer uma das passadas. Tendo um maior desejo desde o berço, a nova geração rejeita o preenchimento da anterior, pois ela simplesmente não consegue receber prazer de algo que agradou aos seus pais. O seu desejo por preenchimento é mais poderoso que o dos seus pais, e este compele a nova geração a ser mais activa na sua busca. As crianças de hoje querem-o todo, aqui e agora. Perder anos para alcançar objectivos de longo prazo – não é para eles. É daqui que a sua despreocupação, tempero irritadiço e falta de paciência vêm. Hoje, simplesmente manifesta-se nas nossas crianças com uma força mais forte.
Na verdade, tais qualidades têm sido inerentes aos jovens ao longo de toda a história. além do mais, nunca houve um tempo em que os pais não se questionassem proque é que a sua geração mais jovem é tão diferente deles. “Nunca nos comportamos daquela maneira quando éramos da tua idade!” Provavelmente não há uma pessoa neste planeta que não tenha ouvido isto pelo menos uma vez dos seus progenitores. É assim que sempre foi, como é agora, e como será. E ainda, há um traço especial na geração de hoje que as distingue dramaticamente de todas as outras.
As nossas crianças estão a tornar-se mais e mais persistentes na sua busca pelo método de desenvolvimento do nível "humano" dentro delas. O preenchimento do chamado nível inferior, "animal" – riqueza, fama, conhecimento – simplesmente não as conseguem preencher. Além do mais, dado que a geração mais velha não lhes pode oferecer algo mais, elas deferem-se a si mesmas através de todos os meios possíveis. Neste momento, acontece subconscientemente e parece ser uma doença, o tempo irá chegar em que a pergunta irá tornar-se muito clara para eles, e eles virão até nós – adultos – exigindo uma resposta. Seria uma boa ideia se, tivéssemos pelo menos uma resposta aproximada à sua pergunta.
Hoje, ainda temos tempo de parar de transformar as nossas crianças em inválidos, de parar de os empanturrar com Ritalina, e começar a procurar a abordagem correcta ao seu crescimento, educação e vida no geral.
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O Meu Presente Estado de Espírito: ansioso
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