Se o inferior não pode receber nada, o Superior restringe-se. A Parsa é um local muito especial onde a restrição do Superior ocorre. Ela causa uma grande diferença entre o que está acima da Parsa – o Mundo de Atzilut, onde a Luz pode ser disseminada, onde Bina – o dar domina; e o que está abaixo da Parsa – os Mundos de Beria, Yetzira, e Assiya, onde Malchut, o desejo de receber, domina.
Uma estrutura unificada está então separada em duas partes que são opostas uma à outra. A superior é governada pelo Criador e a inferior é governada pelo ser criado. Este é o primeiro passo para criar uma ligação entre o ser criado e o Criador.
Até que isto ocorresse, o ser criado fez apenas o que a Luz lhe ordenou. A Luz cancelou-me e eu era apenas capaz de dar porque ela governava sobre mim. Porém, agora existem dois reinos em mim e eles são absolutamente opostos um ao outro. Eles são o reino da Luz e o meu reino, onde eu sou o governante.
A Luz abandonou-me, eu fiz uma restrição sobre o meu desejo. Porém, então, neste lugar vazio de restrição, novos desejos aparecem: desejos egoístas, Klipa. E então somos separados como dois mundos opostos! Acima da Parsa, no Mundo de Atzilut (onde “Etzlo” significa “Ele tem”) há correcção completa, Luz infinita. E abaixo da Parsa, tudo é o oposto: um estilhaçar, o mal, e toda a ofensa imaginável.
Então, Ele e eu torna-mo-nos claramente opostos um ao outro e começamos a odiar-nos um ao outro. Ficamos distantes, embora estejamos separados apenas por uma divisão muito estreita, o terço do meio de Tifferet, Klipat Noga, onde toda a minha liberdade de vontade está concentrada.
Por um lado, há o Criador, a santidade superior, e por outro lado, abaixo, por baixo da Parsa, existe o corrupto ser criado, o ego, e imundice – e eu sou um intermediário entre eles, no meio. Toda a minha existência, o meu "Eu," reside nesta estreita faixa.
Foi-me dada uma oportunidade de esgueirar para um corredor estreito entre estes dois enormes exércitos: a força da recepção e a força do dar, de forma a me tornar um intermediário entre eles e os trazer a um acordo, e então à ligação e amor. Ao os unir, eu construo-me a mim mesmo consistindo dos dois.
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