Uma Parede De Esperança
Traduzido de: Kabbalah Today Issue #18
A sabedoria da Cabala e Pink Floyd têm algo em comum: eles gostam de quebrar paredes. Mas ao contrário dos meninos de Londres, a Cabala diz-nos como quebrar a nossa parede interna e porque este quebrar é agora possível mais do que nunca
"Se você tenciona deslizar sobre o fino gelo da vida moderna, não fique surpreendido que uma racha apareça por baixo dos seus pés,” avisou Roger Waters, o líder da banda lendária Pink Floyd, no inicio da sua obra-prima de 1979, “The Wall.”
A voz rouca de Waters era a voz de toda uma geração que sentia uma racha abrir por baixo dela, e a primeira geração que não quis ser educada. Ela revoltou-se, gritou, pontapeou, e parou de jogar com as regras, ao som da guitarra eléctrica de David Gilmour.
Mas além da dura acusação contra o sistema educacional do Reino Unido, “The Wall” foi também uma alegoria sobre a condição geral da humanidade. Ela reflectia os profundos sentimentos das pessoas de confusão, medo e ansiedade enfrentando novos conflitos e desafios. “Mandem a Parede abaixo!” repete o coro nova e novamente, e o público excitado responde num alvoroço alegre.
Mas um olhar sóbrio 30 anos mais tarde faz a pergunta: Partiu a parede afinal de contas?
Another Brick in the Wall (Mais Um Tijolo na Parede)
No exterior, parece que alguns dos tijolos que fizeram a Parede Floidiana certamente se quebraram. A cortina de ferro que separava o Este do Oeste esvaeceu, e os restos do Muro de Berlim são agora um local turístico, enquanto que a Grande Muralha da China está já a caminho da loja de recordações da história.
O mundo está a encolher numa rede densa, cozida de forma apertada. Com a tecnologia moderna podemos construir uma ponte entre a distância e o tempo, que costumava separar os países e as pessoas. Um único clique de um rato agora cruza quaisquer dois pontos na Terra um com o outro.
Porém, apesar do progresso e as comunicações celulares e satélites ligando-nos a todos, algo ainda falta. Há um sentido crescente de desorientação, degeneração moral, alienação, violência e terror - os mesmos males sobre que Waters escreveu praticamente há 30 anos atrás. Estes sentimentos só se fortaleceram através dos anos. De alguma forma, pensando que estávamos a remover paredes velhas, temos estado na verdade e a empilhar novas.
Comfortably Numb (Confortavelmente Dormente)
Porém, tudo isto é apenas a camada externa da parede que a banda lendária teria descrito na música. Waters sabia que a parede entre nós não é externa. Ele estava à frente do seu tempo apontando que é a parede interna, “a parede nos nossos corações,” essa é a verdadeira fonte do nosso sofrimento e confusão.
Como foi esta parede criada, e como pode ser ela quebrada? Isto é algo que os Floyd não sabiam e não tentaram explicar. A sua música rebentou como um grito amargo da escuridão da solidão moderna, não conseguia encontrar o martelo mágico que abrisse caminho para a luz.
O aniversário de 30 anos dos Pink Floyd está rapidamente a aproximar-se. Crianças que cresceram com “The Wall” são agora pais de uma nova geração, mais sábia e mais desenvolvida que a de seus pais. Eles não têm um sentido de propósito e recusam-se a continuar a caminhar no mesmo caminho desgastado.
A revolta da juventude de hoje não é mais dirigida contra um sistema especifico ou instituição. A falta de interesse da nova geração, alienação, apatia, hiperatividade, perda de valores, violência e acima de tudo—a incapacidade de determinar a causa da sua frustração - de os situar perante a verdadeira parede: a parede no interior que é tão impenetrável quão é confusa.
E que nos espera? Como estamos nós a lidar com este problema? Avançamos simplesmente pelo hábito, esperando que as nossas tentativas de mudar esta ou aquela estrutura, ou drogar as nossas crianças para as acalmar, irá suprimir o problema.
É difícil que compreendamos que as novas perguntas que as nossas crianças fazem nos oferecem uma oportunidade de encontrar uma solução a sério, perguntas como: “Porque é que precisamos de tudo isto?” e “Qual é o sentido da vida?”
The Show Must Go On (O Espectáculo Tem de Continuar)
A sabedoria da Cabala explica o que os Pink Floyd não conseguiram: ela mostra-nos como podemos quebrar a nossa parede interna e porque é que este quebrar é possível agora mesmo.
“No inicio de minhas palavras, encontro uma grande necessidade de quebrar a parede de ferro que nos tem separado da sabedoria da Cabala até este dia.” É assim como o grande Cabalista do século XX, Baal HaSulam, começa a sua introdução a uma das mais importantes composições do nosso tempo, O Estudo dos Dez Sefirot. A parede a que ele se refere é a parede que rodeia os nossos corações, separando-nos do mundo que nos rodeia.
A nova geração vê que as anteriores gerações falharam levar a cabo esta descoberta. Está desiludida com a velha abordagem e compreende, embora inconscientemente, que até agora tentamos quebrar a parede com o próprio instrumento que a criou: o ego. É por isso que as nossas tentativas estão destinadas ao fracasso.
Para quebrar a parede, precisamos de outro método, escrito por pessoas como Baal HaSulam, que conseguiram estilhaçar esta parede interna, e que nos contam sobre isso da sua experiência pessoal. Cabalistas, os que quebraram as paredes do ego, escrevem sobre a realidade que descobriram como resultado, em que estamos ligados pelo amor. Não há paredes ou cortinas de ferro aqui, e não há interesses pessoais, mas apenas sentimentos de segurança, paz e amor que preenchem todas as pessoas. Esta realidade pode ser revelada a todos nós, aqui e agora.
Com “The Wall,” os Pink Floyd criaram a banda sonora derradeira para a vida moderna. Agora é tempo de mudar o disco. A nova geração espera uma nova melodia cheia de esperança, carregando a promessa de uma vida melhor. O que precisamos é de uma melodia que toque nos nossos corações, uma melodia de amor e calor que nos irá permitir a estilhaçar as paredes do ódio e alienação que nos separam e causam todo o sofrimento no nosso mundo. Tudo o que temos de fazer é revelar esta melodia entre nós. Hoje, mais que nunca, o tempo e as condições são as certas.
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