Dr. Anatoly Ulianov: Por alguma razão me acabo de recordar de um jogo de sorte que costumava ser popular. De onde vem a esperança que as pessoas têm em jogos de sorte?
Dr. Michael Laitman: Quando nós não sabemos exactamente qual a decisão certa é, colocamos-nos a nós mesmos nas mãos do destino, esperando que haja um destino, uma força superior imprevisível que nos controla e nos entregamos a nós mesmos a ela. É claro, nos jogos não o tomamos a sério.
Na vida, contudo, vemos que até quando planeamos em antecedência e queremos que tudo vá de acordo com o nosso plano, as coisas se revelam por leis diferentes. É aí que a discrepância entre o senso comum, os meus dogmas estabelecidos e o que acontece na vida, surge.
Como posso eu abandonar os meus dogmas e me fundir com as acções que estão na realidade a acontecer fora de mim, sob a influência de certa força superior da Natureza externa?
A humanidade está a entrar num estado de governo integral e global pela Natureza. Anteriormente não reparámos nisso, mas desenvolvemo-nos através das gerações de acordo com o nosso egoísmo, mudando-nos a nós mesmos, a sociedade e às ordens sociais.
Mas hoje nós, individualistas, egoístas, estamos a começar a nos encontrar a nós próprios num formato completamente diferente. Estamos incluídos num mecanismo que opera integralmente, como um sistema analógico onde todas as partes estão completamente interligadas, mutuamente determinando o estado umas das outras e ninguém tem qualquer movimento livre. Uma pessoa influencia o mundo inteiro com os seus pensamentos e desejos, para não mencionar as acções físicas. Isto é chamado “o efeito borboleta.”
Há uma contradição entre como fomos criados, como traçamos o mundo baseando-nos na nossa natureza e como a Natureza na realidade funciona. Uma discrepância surge entre os dois sistemas. E é aí que o desejo de jogar surge.
Jogar significa entregar-se a si mesmo à vontade da natureza integral que nos controla, que não conseguimos compreender e com a qual não conseguimos agir em uníssono. Desta forma, uma pessoa parece entregar-se a si mesma a uma força, um governo que vem da Natureza. Em certo sentido, ela joga um dado, pensando, “O resultado não depende de mim. Estou simplesmente a entregar-me a mim mesmo à vontade do acaso.” Então que devemos nós fazer?
Se tentássemos “jogar em equipa” com a Natureza, venceríamos. É claro, não estaríamos a “jogar dados” inconscientemente, mas tentaríamos penetrar o governo integral. E mesmo que isso contradiga o nosso sentido comum, se tentássemos nos aproximar deste governo integral, veríamos que às vezes é vantajoso agir de uma maneira integral, que a vantagem de o fazer é óbvia.
Os pontos supramencionados foram retirados do livro A Psicologia da Sociedade Integral por Dr. Michael Laitman e Dr. Anatoly Ulianov.