“Todos em quem o espírito do povo está
contente, o espírito do Criador está contente com ele.” Precisamos de
compreender, dado que há muitas pessoas justas no mundo em quem o espírito do
povo não está contente, mas pelo contrário, eles os odeiam. Também é sabido que
pessoas incultas odeiam os discípulos dos sábios.
Nossos sábios disseram, “Esse discípulo dos sábios que o
povo da cidade ama porque ele não os exortou sobre assuntos do Alto.” Mas há a
imperativa de exortar o seu próximo, que significa que eles odeiam o discípulo
dos sábios. Então porque disseram, “Todos em quem o espírito do povo”? E ainda
mais confuso é que deram como sinal de temor dos Céus, porque ele disse que
somente aqueles em quem o espírito do povo está contente, o espírito do Criador
está contente com ele.
Devemos interpretar que é impossível alcançar amor ao
Criador antes que uma pessoa seja recompensada com amor às pessoas através de “ama
teu próximo como a ti mesmo,” que Rabbi Akiva disse ser uma grande regra da Torá.
Isto é, que com isso uma pessoa se acostuma a si mesma ao amor às pessoas, que
é o amor aos outros, e então ela pode alcançar o grau amar o Criador.
Com isso devemos interpretar o mencionado, “Todos em quem o
espírito do povo está contente,” ou seja que o espírito do povo está contente
com ele, pois ele sempre se envolve no amor às pessoas, e sempre cuida do amor
aos outros. Então o espírito do Criador está também contente com ele, ou seja
que ele tem prazer ao fazer o espírito do Criador, ou seja doar sobre o
Criador. Mas assim não é com aquele que se envolve no amor ao eu; então é certo
que o espírito do Criador também não está contente com ele.
Rav Baruch
Ashlag (RABASH), in Dargot HaSulam