Não há uma lamina de grama abaixo que não tenha um anjo no alto que a golpeie e lhe diga, ‘Cresce!’
Midrash Rabá, Beresheet 10:6
Os animais podem mostrar-nos que há uma qualidade da Natureza que realmente odeia a escravidão, que odeia a falta de liberdade. Se você capturar um animal e o mantiver em cativeiro, especialmente um animal selvagem, ele irá enfraquecer e, na maioria dos casos, ele morrerá. Mesmo com os nossos animais de estimação, animais domésticos, você tem que fazer um acordo. Você deve compensá-los pela perda da liberdade, dando-lhes uma porção de comida, oferecendo-lhes algum tipo de abrigo e uma boa dose de atenção; é preciso construir um lado da equação para o seu desejo de receber, caso contrário, eles simplesmente não verão o que está acontecendo, além da perda de liberdade. Esta é a maneira com que a Natureza é construída. A liberdade é uma força poderosa e tudo é guiado na direção dessa liberdade.
Os animais não cometem erros, porque eles agem completamente dentro da lei da Natureza. Por exemplo: um gato pode saltar sobre uma mesa ou até sobre um muro, mas se você olhar realmente de perto, e eu já vi isso em câmera lenta, o gato vai saltar, mas há um ponto em que ele parece quase ser levantado, e apenas aterrissa precisamente no local. É como se ele estivesse no fluxo de algum tipo de energia que simplesmente o coloca lá. E os animais não cometem erros, porque eles não são movidos pelo conhecimento; eles próprios não calculam nada.
Um animal quando nasce sabe o que é bom para ele comer, e sabe onde encontrar. E nada disto é proveniente da inteligência, tudo é instintivo, está tudo lá, pronto para o animal. Mesmo quando nos parece que um animal está cometendo um erro, como talvez quando um animal é comido por outro, para qual animal isto é um erro? Para aquele que foi comido ou para aquele que o comeu?
Nós vemos esta cena como um erro, porque estamos parcialmente imbuídos desse nível animal, de que uma parte de nós é um animal, e não podemos enxergar completamente fora do sistema, e então nós aplicamos esse aspecto à cena e acreditamos que estamos vendo alguém perdendo e alguém ganhando alguma coisa, quando, na verdade, o animal em si está agindo totalmente dentro da Natureza e é parte de um sistema - que funciona como uma célula dentro de um órgão ou um órgão dentro de um corpo -, operando apenas para a satisfação do organismo como um todo, e não para o indivíduo; e tudo o que acontece, inclusive quando é hora de viver e quando é hora de morrer, ocorre em concordância com a lei da Natureza, porque o animal está preso a ela.
Assim, você pode ver como tudo é completamente predeterminado nesse nível. Na verdade, o que chamamos de "instinto" é a predeterminação desse nível.
Você pode observar a condição de um animal - pelo menos um biólogo pode -, localizar um animal geograficamente, observar a época do ano, e ser capaz de determinar, de acordo com, digamos, a idade desse animal, e todos os demais fatores, qual será a próxima condição dele, porque conhecemos os fatores que o influenciam; e podemos ver até certo ponto, porque estamos acima desse nível do sistema, mas não conseguimos vê-lo atuando sobre nós mesmos. E o fato de não o enxergarmos é o que realmente chamamos de "livre-arbítrio."
Para os humanos, o livre-arbítrio consiste em falta de informação. Isto ocorre por ignorância, porque não podemos ver quais são os fatores que nos influenciam. Em seu lugar, temos a sensação de que eles realmente não existem, que todas essas condições que temos são do tipo aleatórias, elas são uma questão de destino e que uma pessoa tem sua própria resposta individual para tudo e faz completamente seu próprio caminho. Nós realmente não sentimos quando as influências agem sobre nós.
A França é uma nação com valores democráticos como liberdade, igualdade e fraternidade: as palavras de ordem da grande revolução francesa. Como é possível que, precisamente aqui, tenham surgido as forças do mal?
Desde a Revolução Francesa, a democracia passou por tantas distorções. A liberdade se tornou uma permissividade ilimitada para todos. Isso não é bom. Tudo deve ser equilibrado, porque, afinal, o nosso mundo existe com base no equilíbrio entre duas forças, luz e escuridão, positivo e negativo, frio e calor.
Toda a natureza é construída na cooperação mútua entre dois opostos. Mas se estamos falando apenas da liberdade sem limites, ela poderia trazer consequências terríveis ainda piores do que a escravidão ou ditadura. É muito difícil ir contra os que fazem o mal, quando eles estão envoltos na bandeira da liberdade e da democracia. Assim, todas as melhores coisas, mesmo a liberdade, devem ser na proporção certa.
Nós vimos nas últimas décadas que a França se tornou um refúgio para os imigrantes da África e Oriente Médio. De fato, na França, nada resta da velha nação europeia, famosa por sua literatura, cultura e educação clássica que já existiu. Só restam lembranças.
Os antigos slogans de liberdade, igualdade e fraternidade se tornaram palavras bonitas que não são aplicadas em nenhum lugar, e é duvidoso se é possível aplicá-las; sejamos realistas. Há uma democracia que nós podemos discutir bem como uma peça de teatro, e há uma dura realidade na qual a democracia não existe há algum tempo.
É necessário diferenciar sonho de realidade, com o mais profundo respeito que eu tenho pela França
Fonte: Na Esteira Da Tragédia Em Paris, Parte 1
O que é a democracia? A nação inteira, composta de milhões de pessoas, se reúne, e as pessoas perguntam: “O que vocês querem?” Algumas dizem que querem futebol, outras dizem que querem Coca Cola, e elas são informadas, “Vocês vão ter o que querem”. O que mais as massas podem querer se não forem educadas, se não foram elevadas até a escada espiritual? Em tal caso, a democracia leva à regressão, à degradação. Portanto, o que há de bom nisso?
A democracia só é boa quando fazemos um círculo, ou seja, apenas num grupo. Aqui é onde o mundo inteiro vai mal. A verdadeira ideia da democracia é ótima, mas deve ser realizada somente sob certas condições.
Liberdade Num Circuito Fechado, Existe?
Desta forma, o Tana (Rabi Shimon Bar Yochai) descreveu a Arvut como duas pessoas num barco, quando uma delas começou a furar um buraco no barco. Seu amigo perguntou, “Porque estás tu a furar?” Ele respondeu, “O que é que isto lhe diz respeito? Eu estou a furar por baixo de mim, não por baixo de ti.” Então ele respondeu, “Tolo! Iremos ambos nos afogar juntos!”
Baal HaSulam, “A Arvut [garantia mútua],” Item 18
O homem moderno aprecia sua liberdade de expressão, mas será que nós sabemos o que ela é? Se essa é a liberdade de dizer o que quisermos, como temos certeza da exatidão dos nossos pontos de vista? Será que realmente compreendemos que somos responsáveis pelas palavras, que podem machucar alguém?
Antes de tirar proveito da liberdade de expressão, nós temos que ser educados corretamente porque isso impõe uma grande responsabilidade. Não só as palavras proferidas são armas fortes, mas mesmo nossos pensamentos. Nossos pensamentos se elevam em todo o mundo e colidem uns com os outros, criando um campo de pensamentos que impactam a nós e o mundo inteiro.
Portanto, a liberdade de expressão nos obriga a estar num determinado nível e aceitar uma enorme responsabilidade.
Fonte: Cuidado: As Palavras Podem Matar
Quanto mais alta a faculdade, mais ela consegue alcançar. A mais alta de todas é a mente, que consegue ascender às mais sublimes alturas. Deveis deste modo guardar vossa mente e pensamentos ao máximo.
Nachman de Breslev, Sichot Haran, Item 46
Liberdade, Somente Na Espiritualidade
O homem é governado pelas forças da Natureza; por isso, se tudo é Natureza, como pode surgir algo novo nele? Portanto, não há livre-arbítrio neste mundo. A pessoa sempre escolhe o que lhe agrada mais e foge do sofrimento como qualquer outra criatura, seja ela vegetal ou animal.
Apesar desta liberdade ilusória com a qual o homem foi inicialmente agraciado (visto que pensamos que podemos fazer o que quisermos!), ela ainda é uma ilusão. A verdadeira liberdade consiste em sair e elevar-se acima da nossa natureza, o que significa sair fora e elevar-se acima do egoísmo.
Fonte: A Verdadeira E A Falsa Liberdade
Está escrito: “Não há coerção na espiritualidade”, ou seja, que o progresso só acontece através do nosso livre arbítrio. E nós temos uma única opção a este respeito e nada mais. Portanto, não devemos relacionar coisas ao livre arbítrio das quais não estamos completamente livres.
A liberdade foi dada a nós apenas na união com o grupo ou a humanidade, com todo o mundo, com partes de minha própria alma, que só na minha imaginação parecem externos e estranhos, odiosos e distante espiritual e fisicamente. É nas ações onde eu tento aproximá-los de mim que reside o livre arbítrio. Isso porque, basicamente, esta é a única coisa que tenho a fazer. Não há nada além de corrigir o vaso da minha própria alma, cujas partes eu devo aproximar de forma a percebê-las como minhas.
Eu tenho que sentir o mundo inteiro, tudo o que parece estar do lado de fora, como partes minhas, ainda mais perto do que meu próprio corpo.