Se uma pessoa que estuda a Cabala não é religiosa ou Judia, ela tem de seguir o seu exemplo e dos grandes Cabalistas de deixar crescer a barba e se vestirem em correspondência?
Definitivamente não. Eu preciso da minha "aparência" em prol de ser reconhecido como homem que recebeu a Cabala da linhagem dos Cabalistas, porque todos eles aparentavam assim (e eram muito mais ortodoxos que eu, por falar nisso). Mas quando você se separa do mundo externo, a sua aparência exterior e roupa não importam um pouco. Além do mais, os Cabalistas aparentavam muito diferentes há três mil anos atrás!
Há algum tempo atrás (antes da destruição do Templo) a nação de Israel estava num nível espiritual, e os mandamentos eram acções espirituais para eles – os Tefilin não eram uma caixa preta, mas a Luz de um estado exaltado, que brilha “na testa” do Partzuf espiritual (dez Sefirot). Não era uma raiz e ramo para eles; estava unido como um todo. Eles não viviam em dois mundos, mas numa realidade comum. Desta forma, a questão relativa a levar a cabo ou não os mandamentos no material não surgiu para eles; para eles a execução interna e externa dos mandamentos eram expressões da mesma acção.
Então uma “quebra e uma descida” ocorreu; nossas sensações do mundo espiritual foram ocultadas. Com esta ocultação, nós não mais sentimos o que acontece no mundo espiritual. Nós estamos “cortados” dele, e não mais existimos num grau espiritual de “Tefilin” por exemplo ou “Talit” (Luz circundante, revestida em Zeir Anpin do mundo de Atzilut); desta forma, estes mandamentos transfomaram-se de acções espirituais em acções mecânicas, chamadas “tradições” ou “costumes.”
Antes, elas eram verdadeiras acções espirituais, em vez de meras tradições como são agora. Anteriormente, eu “colocava um Tefilin” no espiritual e no material. Eles eram a mesma coisa para mim; a realidade era um todo. Como resultado do nosso desenvolvimento egoísta, nós descobrimos a nossa “quebra e descida,” a destruição da alma comum. Agora, chegou a hora de quebrar esta divisão, de modo que haverá, uma vez mais, um mundo único e pleno.
Devem todas as pessoas estudar estas tradições e costumes? Não, nós precisamos apenas de quebrar esta divisão, e quando ela cair, gradualmente com nossa correcção, a realidade material irá começar a desaparecer. Se toda a humanidade estiver corrigida, em vez de apenas a pequena parte que saiu da Babilónia e que era chamada nação de Israel, então, à medida que o mundo começar a ficar corrigido, ele irá “perder” as suas sensações da forma material. A camada inferior, que você corrige para doar, torna-se espiritual, e você não mais a percebe como matéria. Ela gradualmente parece desaparecer das suas sensações, até que todo o mundo material desaparece, dado que ele é imaginário (Olam Amedume). Desta forma, tudo o que a Cabala nos ensina é como quebrar a “muralha de ferro” (veja Introdução ao Estudo das Dez Sefirot, Item 1), que nos separa do mundo espiritual.
Fonte: Quebrando a Muralha Entre os Mundos
“Se a mancha na pele for branca, mas não parecer mais profunda do que a pele e sobre ela o pelo não tiver se tornado branco, o sacerdote o porá em isolamento por sete dias“. (A Torá, Levítico, Tazri’a, 13:04)
“Pelo” significa a saída de excessos que o corpo quer se livrar pela pele. Ao digerir internamente todos os níveis egoístas, a pessoa corrige esses desejos, e assim continua crescendo e agindo.
Qualquer coisa que não seja funcional no corpo, deixa-o naturalmente. Na espiritualidade, existe também um fenômeno semelhante que está “posicionado” logo após o último nível egoísta de desejos, a pele. A transposição deste nível é realizada sob a forma de desejos execessivos que no nível humano são representados como o pelo.
No entanto, os seres humanos têm muito menos pelo do que os animais, uma vez que um ser humano é capaz de “digerir” desejos mais egoístas e reorientá-los para a doação e amor.
Por outro lado, não há sequer um milímetro do nosso corpo que não seja coberto pelo pelo. Assim, os Se’arot (cabelos) representam enormes desejos de uma pessoa que ainda têm que ser orientados para a correção, mas até agora eles não foram redirecionados corretamente.
Se os desejos de uma pessoa são corretos, eles jorram de sua cabeça sob a forma de cachos laterais, barba, etc. e envolvem apropriadamente uma pessoa. Relacionado a isso está o conceito de “eremita” (Nazir) que nunca corta o cabelo.
As mulheres, ao contrário, atraem os homens com seu cabelo porque na espiritualidade uma mulher atrai um homem por seus desejos de doar, de amor espiritual.
Homens não têm esses tipos de desejos e as mulheres os atraem deixando que os homens tomem seus desejos, os corrijam e, assim, se elevem. Aqui você pode ver correlações interessantes, mesmo em como ao longo do processo de desenvolvimento a humanidade mudou penteados mantendo-os dentro de uma capa.
Uma mulher religiosa sempre cobre seus cabelos, uma vez que não deixa estranhos levar seus desejos. Ela só tem a permissão de revelar seu cabelo na frente de seu marido.
Fonte: Os Desejos Que Realçam Espiritualidade
A Torá, “Levítico” (Kedoshim), 19:27: Não cortareis o cabelo, arredondando os cantos da vossa cabeça, nem danificareis as extremidades da tua barba.
Cabelo simboliza a forma como a Luz de Chochmá se espalha de uma unidade especial do mundo de Atzilut, do Partzuf de Arich Anpin. Nós devemos acrescentar constantemente o desejo de subir a este sistema.
A palavra “Se’arot” (cabelo) vem da palavra hebraica “Sauer” (tempestade), que significa excitado e animado em seu desejo. Portanto, nós devemos sempre tentar manter certo nível de tensão, de anseio pela corrente da Luz de Chochmá, e, assim, ela vai descer.
É dito: “Não cortareis o cabelo, arredondando os cantos da vossa cabeça, nem danificareis as extremidades da tua barba”, especialmente o cabelo que desce do alto da barba. A questão é que nós podemos distinguir 13 partes da barba no trabalho espiritual, cada uma das quais necessita uma correção especial, uma vez que é uma descida gradual da Luz Superior aos inferiores, às nossas almas.
Esta é uma ação chamada “Se’arot“, quando você sofre querendo que a Luz da correção desça sobre você e permita que você trabalhe para doar.
Não devemos fazer analogias entre os dois mundos. Nós somos o que somos e devemos ser apenas como nascemos.
Primeiro, nós temos que pensar em como nos assemelhar à figura espiritual, enquanto a externalidade é um conceito relativo.