As escolas religiosas incutem desde a infância nas crianças uma atitude de respeito para com os professores e líderes espirituais. Esta tradição vem dos princípios espirituais. Mas já que a maioria das pessoas seculares chega à Cabalá, é muito difícil para elas mudar sua atitude para com os professores, aos quais elas se acostumaram na escola e na faculdade.
Nós não estamos acostumados a atribuir um grau superior ao professor que nos dá a realização espiritual. Nós pensamos que o professor recita coisas escritas nos livros e às vezes fornece explicações mais detalhadas.
É incompreensível e artificial que na abordagem Cabalística você receba a espiritualidade através do professor. Mas, na Cabalá, a adesão com o professor precede a adesão com o Criador. É impossível alcançar maior temor em relação ao Criador do que o tipo que você sente em relação ao seu professor espiritual e o grupo. Esta é a forma como a pessoa constrói a si; é por isso que o mundo inteiro tem sido dado a ela.
Mas você precisa trabalhar com isso; caso contrário, você não vai atingir a meta. Falta de respeito pelo professor é um problema moderno, que nos mostra o quanto ainda temos que nos corrigir. Esta não é uma coincidência, mas uma enorme soma de egoísmo, que precisa ser corrigido.
Quando construímos as relações corretas entre nós, em outras palavras, quando compreendemos a Torá a ponto de compreender a sua principal regra geral, “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”, nós avançamos. E, tanto quanto nós diminuímos a grandeza do Rav aos nossos olhos, nós caímos.
Por meio do serviço ao seu Rav (professor), o estudante está ligado ao seu Rav, ao Elyon (superior), e recebe dele. O que acontece se houver uma situação em que o estudante faz algo contra o desejo do seu Rav por qualquer motivo? Como isso influencia a relação entre eles e o avanço do estudante?
Isso indica desprendimento total. Se está claro para o estudante que ele está agindo contra o desejo do seu Rav, como ele pode se comportar assim? A principal lei espiritual é a lei da equivalência de forma. Portanto, para as necessidades de Dvekut (adesão), é necessário ao menos não se opor, mas estar em algum tipo de concordância. Mesmo que você não esteja pronto para realizar alguma coisa, você não pode agir em oposição.
Se o estudante age em oposição ao desejo do seu Rav, ele não tem chance de receber algo dele. Nós também precisamos entender que a equivalência espiritual ou a falta de equivalência é muito mais intensa do que a equivalência física e, portanto, influencia o mundo físico. Em outras palavras, isso vai levar a uma grande distância do estudante do Rav. Ele não tem chance de ficar perto dele.
Certamente, para um estudante, há a possibilidade de aproximação e correção, pois o Rav o vê como uma criança que é capaz de fazer algo tolo. O Rav pode estar com raiva do estudante como com uma criança, mas, apesar de tudo isso, ele pensa nele como seu filho, e assim o perdoa. No entanto, ele não pode concordar e permitir que a criança aja contra o seu desenvolvimento espiritual.
No mundo físico, às vezes nós não temos escolha a não ser olhar com perdão a maldade dos filhos. No entanto, na espiritualidade, é impossível tolerar isso. Isso ocorre porque um comportamento como esse leva a uma falta de equivalência de forma que é a principal lei da realidade.
Yeoshua
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Publicado por קבלה - Cabala em Português em Quinta-feira, 16 de Julho de 2015
Nós sabemos que para estar conectado ao Rav (professor) só é possível mediante a realização da equivalência de forma, do mesmo desejo. Porém, muitas vezes quando o Rav nos dá alguma tarefa, de repente é claro que a pessoa não está pronta para realizá-la porque isto é contra seu entendimento e suas convicções internas. Acontece que ela tem 1 milhão de coisas que são mais importantes, e com isso perde esta oportunidade de se conectar com seu professor. Como o grupo pode dar à pessoa o poder para agarrar esta oportunidade imediatamente e transformá-la num elo, tornando seu desejo similar ao desejo do Rav?
Na verdade, o desejo do Rav é o desejo do grupo. É esse desejo que deve estar no grupo, mas que ainda não pode ser atingido; isto se torna o desejo do Rav.
O Rav não tem seu próprio desejo. De onde ele poderia tirar um desejo com o qual abordar o grupo, os alunos, a lição, tudo? Ele leva o desejo geral do grupo e de acordo com isso age e se comporta. Esse não é o desejo que está no grupo no momento; pelo contrário, é esse desejo que deve estar no grupo. Portanto, ele é seu guia.
O grupo está num estado de “-1″, e o Rav o direciona para um estado de “+ 1″ de modo que eles vão saber em que direção devem prosseguir. Este é o papel do guia no caminho espiritual. Seu papel não é mostrar aos alunos onde ele próprio está ou onde está o Criador; em vez disso, ele deve lhes mostrar seu estado futuro, o próximo passo. Portanto o Rav deve sentir o estado corrigido que o grupo deve atingir e mostrar aos alunos como ele deve ser. Do mesmo modo, ele deve lhes mostrar o que deve ser feito para atingir esse estado. Este é o papel do guia.
O Rav demonstra o seu melhor estado futuro a você e nada mais. Portanto, você deve concordar com ele, render-se, trabalhar para ele e ajudá-lo, porque ele está lhe mostrando sua forma futura: se quiser, aceite-o; se não quiser, então não há nenhuma razão para estudar em vão, então saia.
Os alunos nunca verão ou saberão os desejos do Rav. Mas todo seu comportamento em relação aos alunos e o grupo é determinado pelo seu nível futuro, o próximo passo deles, como mãos estendidas para um bebê que o ensina a andar passo a passo. Este conceito, este princípio, é chamado de Rav, um professor espiritual, que é um pouco maior do que os alunos. Se ele tivesse que se voltar a eles de uma altura de dois níveis, então já não haveria uma conexão entre eles e isso não lhes traria benefício.
Você disse que se o aluno não se aderir ao seu professor, ele não vai aprender nada.
Mas o que exatamente a pessoa precisa aprender? Ela aprende com o professor (Rav) como se aderir aos amigos, a fim de revelar o Criador entre eles. O professor é o guia que aponta a direção a seguir. Ele não o chama para vir até ele; em vez disso, ele lhe diz para ir numa certa direção! Este é o seu papel.
Eu me lembro que na época da primeira Guerra do Líbano, meu professor (Rabash) e eu ouvíamos notícias no rádio o tempo todo, e ele compartilhava suas impressões comigo sobre como percebia tudo o que estava acontecendo. Eu ficava surpreso sobre como um grande Cabalista como estava preocupado com eventos no país e no mundo.
Para ele era um mapa do campo de batalha. Ele completava tudo através de seus cálculos internos com as Sefirot superiores, e de alguma forma isso funcionava para ele.
Durante as operações militares, o Rabash era muito focado, mais calmo do que o habitual. Em geral, ele era uma pessoa que adorava piadas, mas no momento em que a guerra começou, seu estado mudou drasticamente. Isso veio realmente de dentro; ele ficava muito preocupado e muito feliz com nossas vitórias e sucessos no campo de batalha.
Eu senti que isso estava terrivelmente perto dele, ao contrário do resto das pessoas ao seu redor em Bnei Brak. Naquela época, eu era um aluno principiante, e fiquei bastante surpreso com o quanto uma pessoa acredita ou não acredita no Criador, Seu poder e como tudo vem de cima.
Rabash sempre quis saber as notícias factuais, sem qualquer comentário, para reagir corretamente a elas. E quando lhe perguntavam por que ele precisava disso, ele respondia: “E se seus filhos estivessem lá, mesmo assim você agiria com calma e desapaixonadamente como agora?” Isto é, ele sentia que seus filhos estavam lá no Líbano. Isso é o que ele realmente sentia.
Fonte: laitman.com.br