Qual é a raiz espiritual da dança?
Dançar num círculo onde as pessoas dão as mãos simboliza que num círculo todos são iguais. E esta é a sua raiz espiritual.
Dar as mãos simboliza nossa conexão mútua e o círculo mostra igualdade e integridade, uma vez que em nosso mundo não há imagem mais completa do que um círculo ou uma esfera. Assim, homens dançando num círculo deriva de raízes espirituais.
Com o meu professor, Rabash, os alunos dançavam apenas num círculo, de mãos dadas. Além disso, eles sempre davam a volta da direita para a esquerda, no sentido anti-horário, porque a linha direita vem em primeiro lugar, e depois a linha esquerda, e depois a linha do meio.
Às vezes as pessoas entravam no centro do círculo e dançavam dentro dele. Isso simbolizava que precisamente dentro do círculo, uma pessoa pode sentir um estado espiritual único. Todos os outros tipos de danças pertencem às formas modernas e não têm raízes espirituais.
Nosso nível é único por causa das possibilidades que oferece. Nenhum outro nível tem isso.
Só no nosso nível, jogando como crianças, nós podemos ficar mais inteligentes e maduros. É semelhante a uma criança neste mundo que não desenvolveu sentidos, um intelecto, qualquer entendimento ou conhecimento da forma como os grandes sistemas ao redor dela funcionam, e ainda assim, de repente, a criança se torna inteligente.
Falta-nos esse tipo de aspiração natural; fora isso, nós somos apenas como crianças.
O desejo não é nosso. Nós o recebemos do grupo. Todos estes métodos podem ser puramente materiais, na medida em que podemos até mesmo pagar os amigos pelo desejo que recebemos deles em troca, como o rabino Zushi, que contratou músicos de rua para que eles pudessem inspirá-lo.
Você nos disse que seu professor, o Rabash, costumava cantar e dançar quando estava em estado de escuridão e era assim que ele saia desses estados. O que você faz quando está em estado de escuridão?
Quando me lembro da determinação do Rabash, sua aspiração, anseio e recusa em aceitar qualquer coisa, exceto estar com o Criador e agarrando-o apenas ao método de seu pai, sou inundado, se não pela força, ao menos pela paciência.
Sem isso, eu certamente não seria capaz de continuar a trabalhar, porque não sou feito de ferro. Os alunos me deixam, e, é claro, eu sou sensível a isso.
Mas eu imediatamente penso no Rabash e isso me dá uma grande força. Ele era como uma rocha!