Todos os costumes judaicos derivam do mundo espiritual e não têm nenhuma base ou justificação corpórea. Eles gradualmente se tornaram costumes de outras religiões, na medida em que cada religião os recebeu a sua própria maneira e mudou-os para adaptá-los.
Para os árabes, uma oferenda é matar um cordeiro. A palavra “sacrifício” deriva da palavra hebraica “próximo”. Os costumes externos de diferentes povos não são muito diferentes, mas todos derivam de costumes espirituais antigos.
Pessach é um feriado especial. Todo mundo o respeita, tanto as pessoas seculares como as religiosas. Todo mundo se prepara para o Seder de Pessach (refeição festiva), limpa a casa, compra roupas novas, convidando hóspedes e contemplando a melhor forma de comemorar o Seder de Pessach.
Eu quero entender a essência e o significado simbólico deste feriado. O símbolo mais importante de Pessach é Matzá. O que ele representa?
Matzá simboliza o estado em que usamos apenas nossos vasos de doação sem a interferência do nosso ego, do nosso desejo de receber. Nós estamos proibidos de usar desejos egoístas, uma vez que são de propriedade do Faraó. Nós temos que ascendê-los. Desprender-se de nossos desejos egoístas significa o “pão frugal” ou Matzá.
Nós temos que nos relacionam entre nós apenas com amor e doação na medida em que isso está disponível para nós. Nós não estamos prontos para isso ainda, nem entendemos plenamente o que significa. Pessach é um “pequeno estado” (Katnut) que está associado com a falta de energia. O feriado significa o nosso êxodo do poder interno do egoísmo e fazer a transição para a jurisdição da união e do amor entre nós.
O nome do feriado, Pe-sach, significa transição, saltar do egoísmo para o amor e doação. Esta travessia é o símbolo do feriado.
Pessach é uma celebração da liberdade; é uma fuga do ego devastador que nos enterra vivo. Como resultado da redenção, nós começamos a ser uma nação livre na terra livre, ou seja, independentes de nossos desejos (país ou Eretz deriva de Ratzon ou desejo). Nós paramos de nos “devorar” como antes. Em vez disso, nos esforçamos para nos tornarmos o povo de Israel, para unir e se tornar um todo.
Por que Baal HaSulam e Rabash observam os costumes de Pessach tão cuidadosamente?
Pessach é a saída do desejo egoísta por mim mesmo para o desejo de doar. Isso se chama êxodo do Egito, onde o Egito simboliza toda a inclinação ao mal, o nosso ego. A subida acima dele é o êxodo do Egito.
Primeiro nós temos que percebê-lo espiritualmente e não corporalmente. Mas há costumes que mantemos neste mundo por causa da conexão entre o ramo corpóreo e a raiz espiritual.
A diferença entre Matza e pão é que Matza não contém fermento; ele contém apenas farinha e água. Esta massa tem que ser amassada durante um determinado período de tempo: 18 minutos, de acordo com as propriedades espirituais – 9 Sefirot da Luz direta e 9 Sefirot da Luz de retorno, excluindo Malchut. Afinal de contas, é Malchut que torna a massa azeda, e por isso usamos apenas 9 Sefirot da Luz Direta e a Luz de Retorno, sem Malchut, um total de 18 Sefirot. Em nosso mundo isso é expresso por 18 minutos.
Nós estamos autorizados a manter a farinha e a água juntas por 18 minutos até que a massa chegue ao forno, o que impede a conexão em desenvolvimento entre elas. Nós não adicionamos nenhum tempero ao Matza, só farinha e água.
Matza é o mesmo pão, mas sem Malchut. Ela foi arrancada dele, de modo que os Cabalistas determinaram esse costume de acordo com o ramo corpóreo da raiz espiritual. Todos esses símbolos são lembretes da saída do ego, da subida sobre ele. Todos os costumes de Pessach resultam de como nos sentimos nas raízes espirituais que estão separadas do nosso ego, do desejo de desfrutar, e quando passamos ao desejo de doar.
Não há nada de santo nessas ações corporais, mas elas são importantes por causa de sua relação com a raiz espiritual. No mundo espiritual, cada um tem que realizar essas ações, enquanto que no mundo corporal, nós realizamos algumas delas e há algumas que eu não realizo.