Está
escrito, “não há nada além D’Ele.” Isto significa que não há outra força no
mundo que tenha a habilidade de fazer o que quer que seja contra Ele. E o que o
homem vê, que há coisas no mundo que negam a Casa Superior, a razão é que esta
é a Sua vontade.
E
é considerada uma correcção, chamada “a esquerda rejeita e a direita atrai,”
quer isto dizer que o que a esquerda rejeita é considerado correcção. Isto
significa que há coisas no mundo, que, para começar, têm por objectivo desviar
uma pessoa do caminho certo, e pelo qual ela é rejeitada da Santidade.
E
o benefício das rejeições é que através delas a pessoa recebe uma necessidade e
um desejo completo pelo Criador para que a ajude, uma vez que ela vê que de
outra forma está perdida. Não só não faz progressos no seu trabalho, mas vê que
retrocede, isto é, falta-lhe a força para observar
a Torá e Mitzvot mesmo em Lo Lishma (não em Seu
Nome). Que apenas ultrapassando genuinamente todos os obstáculos, acima da
razão, pode ela observar a Torá e Mitzvot. Mas ela não tem
sempre a força para ultrapassar acima da razão; pelo contrário, ela é forçada a
desviar-se, Deus proíba, do caminho do Criador, mesmo em Lo Lishma.
E
ela, que sempre sente que o estilhaçado é maior que o todo, ou seja, que há
mais quedas que elevações, e não vê um fim para esses estados, e permanecerá
para sempre fora da santidade, pois ela vê que é difícil para ela observar
mesmo tão pouco quanto uma gota, a não ser ultrapassando acima da razão. Mas
ela nem sempre é capaz de ultrapassar. E o que será do fim?
Então
ela chega à decisão que ninguém a pode ajudar a não ser o Próprio Criador. Isto
faz com que faça um pedido sentido para que o Criador abra os seus olhos e
coração, e a traga verdadeiramente para perto da adesão eterna com Deus. Segue-se
então, que todas as rejeições que tinha experimentado vieram do Criador.
Isto
significa que não foi por estar em falta, que não teve a capacidade de
ultrapassar. Em vez disso, para aquelas pessoas que querem realmente
aproximar-se do Criador, e por isso não se conformam com pouco, isto é,
permanecer como crianças insensíveis, é-lhe por isso dada ajuda de Cima, de
forma que não lhe seja possível dizer que graças a Deus tenho
a Torá eMitzvot e boas acções, e que mais preciso?
E
apenas se essa pessoa tem um desejo verdadeiro receberá ela ajuda de Cima. E
é-lhe mostrada constantemente que está em falta no seu presente estado.
Nomeadamente, são-lhe enviados pensamentos e opiniões, que são contra o
trabalho. Com isto pretende-se que veja que não é um com o Senhor. E por muito
que ultrapasse, vê sempre que está mais longe da santidade que os outros, que
sentem que são um com o Criador.
Mas
ela, por outro lado, tem sempre queixas e exigências, e não consegue justificar
o comportamento do Criador, e como Ele se comporta em relação a ela. Isto fá-la
sofrer. Porque é que não é ela um com o Criador? Por fim, chega a sentir que
não faz parte da santidade ou que se pareça.
Embora
que ocasionalmente receba um despertar de Cima, que momentaneamente a revive,
mas pouco depois cai no lugar da humildade. Contudo, é isto que faz com que ela
venha a perceber que apenas Deus pode ajudá-la e trazê-la realmente para perto.
Baal HaSulam, Shamati #1
“Não há outro senão Ele”
“O
limpo e o justo não matarás”. O justo (Tzadik) é aquele que justifica o
Criador: não importa o que ele sinta, seja bom ou ruim, ele aceita “acima da
razão”. Isto é considerado “direita”. Limpo refere-se à limpeza da matéria, o
jeito como ele vê isto. É assim porque, “um juiz tem somente o que seus olhos
veem.” E se alguém não entende esta questão, ou não pode assimilá-la, não
deveria ofuscar as formas como parecem aos seus olhos. Isto é considerado “esquerda”,
e ambas devem ser estimuladas.
Baal HaSulam, Shamati # 135. O LIMPO E O JUSTO NÃO MATARÁS
3)
A linha média é chamada abundância que desce do alto que é revelada nas duas
linhas.
Isto
é interpretado pelos sábios, “três participantes num homem, seu pai e sua mãe e
o Criador. Seu pai lhe dá a Loven (brancura), sua mãe lhe dá o Odem (vermelho) e
o Criador lhe dá sua alma.” Loven significa branco, ou seja que um sempre
caminhe num estado de “branco” e isto é chamado a linha direita, ou seja que ele não tê qualquer deficiência no
seu estado, em vez disso ele está sempre feliz com sua porção e embora ele
sinta no seu trabalho que não tem ganhos ele ainda assim está feliz. E isto é
chamado perfeição e ele de nada necessita para ser capaz de dizer que isto o
faz feliz. Isto é chamado a linha direita pois ele não têm carência, pois se
lhe faltar alguma coisa, independentemente do que for, ele já não pode estar em
perfeição. E sua mãe lhe dá o (vermelho), onde há uma linha vermelha e depois
de um escrutinar suas boas acções ele vê que é impossível para ele avançar em
frente, pelo contrário, ele se encontra a si mesmo num estado de retroceder e
isto é chamado linha vermelha e seu corpo lhe diz que ele não pode avançar
quando a linha é vermelha e não há outro conselho senão aumentar na oração.
Está escrito no Yalkut (na Hagadá dos Pe’ilim (activos) “Israel disse para o Criador: quando nos redimirás? O Criador disse: quando descerem ao mais baixo grau, nessa altura Eu vos redimirei.”
Uma
vez que precisamente quando um alcança a linha vermelha sente ele que está no
degrau do fundo e então vem a redenção. Então o Criador dá a alma e então a luz
superior brilha sobre ele, quando ele obtém ajuda do alto, como disseram os
sábios, “aquele que vem para se purificar é ajudado.” E o Sagrado Zohar
questiona, com o que é um ajudado e responde, com uma sagrada alma e então é
concretizado “o terceiro parceiro, que é o Criador, dá a alma” e isto é chamado
a linha média.
Rabash, Vol 3, Três
Linhas
4) Quando se está engajado na direita, é o momento certo
para estender a Recompensa Superior, porque “o abençoado adere ao abençoado” Em
outras palavras, uma vez que se está em um estado de plenitude, chamado
“abençoado” a este respeito a pessoa neste momento tem a equivalência de forma,
pois o sinal da plenitude é se alguém está na alegria. Caso contrário, não há
plenitude.
É como
nossos sábios disseram: “A Divindade não permanece mas apenas fora da alegria
de uma Mitzvá.” O significado é que a razão para que a pessoa
obtenha uma alegria é a Mitzvá, significando que o Rav a comandou a
pegar a linha direita.
Daí resulta
que a pessoa obedece os mandamentos do Rav, para obter um tempo especial para
andar na direita e um momento especial para andar na esquerda. Esquerda
contradiz a direita, uma vez que esquerda significa quando se calcula para si
mesmo e começa a examinar o que ele já adquiriu com o trabalho de Deus, e ele
vê que ele é pobre e indigente. Assim, como pode se estar em plenitude.
Ainda assim,
a pessoa segue acima da razão por causa do mandamento do Rav. Daqui resulta que
toda completude foi construída sobre acima da razão, e isso é chamado de “fé”.
Este é o significado de, “em todo lugar onde Eu faça o Meu Nome ser mencionado
Eu virei a ti e te abençoarei.” “Em todo lugar” significa que, embora
ainda não se seja digno de uma bênção, no entanto, Eu dei a Minha bênção,
porque você faz um lugar, ou seja, um lugar de alegria, em que a
Luz Superior pode estar.
Baal HaSulam, Shamati # 40
Fé no Rav, Qual é a Medida
5) Antes que a pessoa adquira os vasos de doação, chamada
adesão, a fé não pode ser encontrada nela de forma permanente. Quando a fé não
brilha para a pessoa ela vê quão baixo é seu estado, tão baixo como qualquer um
pode estar, e tudo isso vem à ela devido à disparidade de forma, que é o desejo
de receber para si própria. Esta separação causa a ela todos os tormentos,
destrói tudo o que foi construído e todo o esforço empregado no trabalho.
No minuto
que a pessoa perde a fé, ela vê que está pior do que quando começou no caminho
do trabalho de doação e assim adquire ódio pela separação desde que ela
imediatamente começa a sentir os tormentos em si mesma e no mundo inteiro.
Torna-se difícil para ela justificar a providência Dele sobre suas criaturas,
no que se refere à Sua benevolência, e então sente que o mundo inteiro
tornou-se escuro em sua frente e nada lhe traz alegria.
Assim, toda
vez que uma pessoa começa a corrigir a falha de maldizer a Providência, ela
adquire ódio da separação, e através do ódio que sente na separação começa a
amar a adesão. Em outras palavras, começa a sofrer durante as separações o que
a traz mais perto da adesão ao Criador. Igualmente, na mesma medida que sente a
escuridão como ruim, assim começa a sentir a adesão como algo bom. Assim a
pessoa aprende como aprecia-la quando recebe um pouco desta adesão, e aprende a
valorizá-la.
Agora
podemos ver que todos os tormentos que existem neste mundo nada mais são que
uma preparação para os tormentos reais. Estes são os tormentos que devemos
alcançar ou não seremos capazes de atingir nada espiritualmente, já que não
existe Luz sem o vaso, e a condenação e a difamação da Providência se refere a
estes tormentos. E é para isso que rezamos, para não difamar a Providência, e
estes são os tormentos que o Criador aceita. Este é o significado de dizer que
o Criador ouve as preces de cada boca.
A razão pela
qual o Criador responde à estes tormentos é para que não peçamos ajuda para os
nossos próprios vasos de recepção, daí podemos dizer que se o Criador garante ,
à pessoa, seu desejo, isto a levaria mais longe do Criador, devido à
disparidade de forma que ela assim adquiria. E na realidade é o oposto. A
pessoa deve pedir fé, ao Criador, para que ela tenha força para superar e
adquirir equivalência de forma, pois a pessoa vê que por não ter uma fé
permanente, ou seja, quando a fé não brilha para ela, ela duvida da Providência.
Isto por sua
vez a leva a um estado chamado “mal”, quando se condena ao Criador. Acontece
que o sofrimento que a pessoa sente é porque ela acusa a Providência. A pessoa
se fere pois onde deveria valorizar o Criador, dizendo: “Abençoado seja Ele que
nos criou em Sua Glória”, o que significaria que as criaturas respeitam o
Criador, e vê que o comportamento humano não é adequado à Sua Glória. Todos
reclamam e exigem que primeiro a Providência deveria ser aberta, que o Criador
rege o mundo em benevolência. Como não se abre, dizem que esta Providência não
O glorifica, e isso fere a pessoa.
Assim, pelo
tormento ela é compelida a maldizer o Criador, e assim quando pede ao Criador
para que lhe dê o poder da fé e alcançar a benevolência, não é para que ela
receba o bem para que se delicie. Ao contrário seria apenas para que ela não
maldissesse que é o que na realidade fere a pessoa. Para ela própria, ela quer
acreditar que o Criador rege o mundo em benevolência, e quer que sua fé se
assente na sensação de como se fosse dentro da razão.
Portanto,
quando pratica a Torá e Mitzvot ela atrai a Luz de Deus não
para si, mas como a pessoa não suportaria não ser capaz de justificar Sua
Providência que é benevolência, isto a fere e ela profana o nome de Deus, cujo
nome é Benevolentee seu corpo clama o contrário.
Esta é a dor
que a acomete desde que está separada e não pode justificar Sua direção. Isto é
considerado como odiar o estado de separação, e quando a pessoa sente este
sofrimento o Criador ouve suas preces e a traz para perto Dele. Assim a pessoa
adquire a adesão, a dor que a pessoa sente devido à separação a faz adquirir
adesão, e assim está dito: “Na mesma medida que a luz excede a escuridão”.
Baal HaSulam, Shamati # 34
O Lucro de uma Terra
6)
A linha direita é chamada “verdade” pois a perfeição é baseada na verdade,
nomeadamente que um não diz que ele tem grande tesouro de Torá e Mitzvot, ou
seja, sensação de realização e entendimento, em vez disso ele diz que o que
quer que ele tenha, ou seja o que quer que ele receba dos céus, até se ele
sentir que está num estado pior que ele aprendeu na escola,
independentemente ele o considera acima
da razão, que é de grande importância para ele, que lhe foi concedido pequeno
contacto com a espiritualidade.
E quando ele trabalha sobre isso, de se contentar com muito pouco e estar feliz com sua parte e ele quer dar honra à Torá e Mitzvot como se ele sentisse o sabor no estado de conhecimento e verdadeira sensação, pois então também o corpo concorda com este trabalho, que é chamado “que também seus inimigos farão a paz com ele.” Sucede-se que um tem de avançar acima da razão e então o corpo se opõe a isso e portanto é chamado de “trabalho da verdade,” ou seja que um vê o seu verdadeiro estado e ainda assim o supera como se fosse dentro da razão, isto é chamado a linha direita.
Tudo isto é pois ele quer honrar a Torá e Mitzvot acima da razão. E embora pareça que um o construa sobre a razão pois ele diz que há muitas pessoas que não têm ligação à Torá e Mitzvot, para que sua razão requira que ele já tem algo com que ficar alegre, dado que ele tem posses e outras pessoas não as têm. Isto é verdade mas para dizer que é uma questão importante com a qual ele deve ficar feliz, ele tem de estar no aspecto de acima da razão e isto é chamado “alegria de um Mitzva,” ou seja que isso é fundado sobre a base da fé. Então pode ele cantar e dançar e tudo isto é verdade uma vez que é acima da razão.
E a linha esquerda que deriva da raiz de Gevurá; e Gevurá significa superação, uma vez que ele calcula para si mesmo quão próximo está ele de Kedusha (santidade), ou seja quanta força pode ele dar para amar os outros, ou seja que ele realizou acções de doação sem uma recompensa, para beneficiar os amigos, pois ele consegue medir de acordo com quanto ele se consegue anular pelo benefício dos amigos, sem querer receber qualquer recompensa por isso. Então, se ele vir seu verdadeiro estado, que ele ainda não é digno de anular coisa alguma e para isto não há outro conselho senão orar e isto é chamado que a linha esquerda lhe dá espaço para a oração.
Disto está claro que a linha direita lhe trás espaço para dar louvor e graças que lhe foi concedida plenitude e então não há espaço para a oração uma vez que ele não tem um lugar de deficiência e similarmente ele não tem espaço para filhos, que é chamado entendimento de Torá e Mitzvot, uma vez que ele não tem dilemas pelos quais tenha de achar desculpas, portanto ele não tem produtividade e aumento na Torá.
Todavia
a linha esquerda que é Gevurá, quando ele tem de superar, embora ele tenha de
superar ainda assim ele vê que não tem as forças para isso, então há espaço
para a oração e há um lugar para filhos, dado que pelas forças que vêm do alto
que ele propagou com sua oração, isto lhe trás produtividade e aumento na Torá.
Independentemente, devemos saber que estas duas linhas devem estar equilibradas, ou seja que elas devem ser igualmente usadas e então se pode dizer que vem a terceira e decide entre elas e ela é chamada a linha média e a questão da decisão incorpora ambas em Uma.
Rabash, Vol 3, Thrês
Linhas
7)
Uma pessoa deve assumir sobre si mesma o serviço dos céus, no grau mais baixo
de todos e saber que até no seu ponto mais baixo, que não pode haver mais baixo
que isso, ou seja que ela está completamente acima da razão e que ela não é
auxiliada por qualquer razão ou sensação, para edificar sua fundação sobre ela.
Como se encontrasse entre os céus e a terra sem qualquer apoio e ela está
completamente acima da razão.
Então
diz ela que O Sagrado, Abençoado seja Ele, lhe enviou este estado de completa
humildade, no qual ela se encontra, pois é a vontade do Sagrado a levar a assumir
sobre si mesma o serviço dos céus neste estado baixo.
Então
aceita ela sobre si mesma o estado em que se encontra, pois ela acredita acima
da razão que ele veio até ela de HaShem, dado que HaShem quer que ela veja o
lugar mais baixo possível no mundo.
Portanto
deve ela dizer que ela acredita no Criador em todas as circunstâncias e isto é
chamado “rendição incondicional.”
Ou
seja que ela não diz para o Criador “Se me deres boas sensações para que possa
sentir que “A terra está cheia da Sua bondade,” estarei disposta a receber. Em
vez disso, quando ela não tem conhecimento nem sensação da espiritualidade e é
incapaz de receber o fardo dos céus e manter a Torá e Mitzvot, ainda assim deve
ela aceitar o fardo dos céus incondicionalmente.
E
foi com isto que Moisés teve dificuldade, como poderia ele ir até ao povo de
Israel em estado tão baixo. E foi isto que o Criador lhe mostrou com seu dedo e
disse: “Isto verás tu e santificarás,” ou seja o estado da lua no tempo da sua
renovação (nascimento), antes que sua glória seja revelada.
E
precisamente ao receber Malchut num estado de humildade, sobre esta fundação
posteriormente será revelado aquilo sobre o qual falaram os sábios, como se diz:
Rabi Elazar disse, o Criador fará para os justos um circulo e Ele se sentará
entre eles no Jardim do Éden e todo e cada um mostrará com seu dedo, como se
diz, “E será dito nesse dia, este é nosso Deus, nós esperamos por ele e ele nos
salvará. Este é o Criador, nós esperamos por ele e ficaremos alegres e jubilaremos
na sua salvação.” (Isaías 25:9) (Taanit 31)
Sucede-se que, o sentido do Criador apontar o seu dedo para a lua dizendo para ele, “nesta direcção,” nesta direcção também o merecemos, ao apontar cada um seu dedo e dizendo “Eis, este é nosso Criador.”
Escritos de Rabash, Vol
3, Kidush HaChodésh (A Santificação do Mês)
8) Uma vez que a essência da criação, que se chama
“homem,” é a vontade de receber e o Criador é o dador e quando uma pessoa
regressa à sua raiz isso é chamado “arrependimento.” Como é o arrependimento? É
como Maimónides diz, “Até Aquele que sabe todos os mistérios testemunhe que ele
não regressará à folia.” Esse testemunho aparce numa pessoa assim que ela se
arrependeu. Então ela alcança a agradabilidade superior, ou seja que o Criador
coloca Sua Shechina [Divindade] sobre ele. Uma pessoa que se
arrependeu significa que ela foi recompensada com Dvekut [adesão].
E um é
recompensado com tudo somente ao superar, chamado “força” e toda e cada força
que uma pessoa suscita se junta a uma grande soma. Isto é, até se uma pessoa
superar uma vez e receber um pensamento estranho e disser, “Mas eu já sei por
experiência que em breve não terei este desejo pela obra, então o que vou obter
agora se superar um pouco?” Nessa altura, ela deve responder que muitos tostões
se juntam a uma grande soma, ou seja à conta geral, seja à raiz da sua alma ou
ao público.
Talvez seja
este o sentido de “Os portões das lágrimas não estavam trancados.” Shaarei [portões]
vem das palavras, Se’arot [“cabelo,” ou “tempestades”], que é
superar. “Lágrimas” vem da palavra “rasgar,” ou seja que há uma mistura com
outros desejos e somente no meio dos desejos há um breve momento de um desejo
de superar para o amor e temor dos céus. “…não estavam trancados,” mas em vez
disso esse momento se junta a uma grande soma. Quando a soma está cheia, a
pessoa começa a sentir a vestimenta espiritual.
Isto é
semelhante a uma pessoa que se encontra entre criminosos que blasfemam e
amaldiçoam a obra do Criador. E entre eles há alguns que falam eloquentemente e
a deixam entender que não há sentido em servir o Criador. Mas ainda há alguém
lá que não consegue explicar o valor e a essência do trabalho tão bem, mas ela
consegue fazer algumas objecções, ou seja que ela profere protestos que aquilo
que eles dizem não é verdade. É bom que ela discorde, embora ela não seja tão
eloquente como os blasfemos. Isto é chamado os “portões das lágrimas” e isso é
chamado “Muitos tostões se juntam a uma grande soma.”
Rabash, Vol 2, Carta #
14
9)
“Muitos são os apuros do justo, mas o Criador me salva de todos eles”. E
questionamos, se o Criador o salvou dos males, por que lhe dá ele males, para
sofrer sem causa? Ou seja se estivesse no seu poder superar pela sua própria
força podemos entender que lhe é dado para corrigir. Mas se o Criador o salva o
que ganha ele de lhe serem dados “muitos males”? E já falamos sobre isso quando
questionamos por que ele não consegue superar pela sua própria força e somente
o Criador o tem de salvar. E se elhe foi dada a escolha de superar por que não
lhe foi dada a força para ser capaz de superar. De acordo com o que disse Baal
Hasulam, que isso foi intencional desde o início, para que ele pedisse ajuda do
Criador. E a ajuda que Ele dá, Ele dá o estado de uma alma superior, para que
ele venha a receber um grau mais alto, pois ele tem de alcançar as NRNCHY da
sua alma. E sem uma necessidade, nomeadamente um vaso chamado deficiência, é
impossível receber um preenchimento, assim, isso foi feito intencionalmente
desde o início, para que ele tenha de começar a obra. E quando ele vê que não
consegue superar, ele não deve desistir mas em vez disso orar para o Criador,
como diz o sagrado Zohar “aquele que vem para se purificar é ajudado. Com o
quê, com uma sagrada alma.”
No citado observamos duas coisas:
1.
Ele deve começar a obra de doar em prol de ter uma necessidade que o Criador o
ajude, dado que se ele pudesse superar sozinho ele não precisaria da ajuda do
Criador e isto é chamado que ele não tem um vaso e que não há luz sem um vaso.
2. Ao homem não foi dada a habilidade de superar sozinho. Portanto a razão é que ele tem de começar mas não lhe é dado para terminar e portanto entendemos o que questionamos, por que muitos males vêm até ao justo, pois o sofrimento que o justo sofre do mal e que o previne de alcançar Dvekut (adesão) com o Criador o faz adquirir um vaso. E essa é a razão pela qual o mal é tão grande, tanto que ele não o consiga superar. Porém “o Criador me salva de todos eles” mas nenhum homem tem o poder de o derrotar. Isto foi feito intencionalmente desde o começo, pois o Criador não consegue lhe dar um grau superior se ele não tiver necessidade disso. Portanto, o Criador lhe dá as partes da sua alma através da sua salvação, como está escrito, “o Criador me salva de todos eles.”
Rabash, Vol 1, O que é que o Justo Sofre do Mal
11) É sabido que quando se começa a trabalhar mais do que
está acostumado, o corpo começa a chutar e rechaça esse trabalho com toda a sua
força.
Isto ocorre
porque, com respeito a doação, porque é uma carga e um fardo para o corpo, que
não pode tolerar este trabalho e a sua resistência aparece na forma de
pensamentos estranhos. Eles surgem e perguntam “quem” e “o que” e deste modo se
diz, que todas estas questões lhe são certamente enviadas pela Sitra
Achra (outro lado), para obstruí-lo no trabalho.
Diz-se que,
se nesse momento se afirma que vieram da Sitra Achra, viola o que
está escrito: “Não terás outros deuses diante de Mim”. A razão
disso é que se deve crer que vem da Santa Shechiná, já que “Não
há ninguém além d'Ele”. Pelo contrário, a Santa Shechiná lhe
mostra seu verdadeiro estado, como está andando nos caminhos de Deus.
Isso
significa que, enviando-lhe estas questões, chamadas “pensamentos estranhos”,
ou seja, através destes pensamentos estranhos, vê como responde às perguntas
consideradas como “pensamentos estranhos”. E assim, deve-se saber qual seu
verdadeiro estado no trabalho para que saiba o que fazer.
É como a
parábola da pessoa que queria saber o quanto seu amigo a amava. Certamente,
quando estão face a face, seu amigo não se mostra pela vergonha. Assim, manda
alguém falar mal de si ao seu amigo e ver a reação do amigo enquanto está
ausente e daí pode realmente saber a verdadeira medida do amor de seu amigo.
Sua lição é
que quando a Santa Shechiná mostra sua face à pessoa, ou seja,
quando o Criador lhe dá vivacidade e alegria, naquele estado, tem vergonha de
dizer o que pensa sobre o trabalho de doação e a respeito de não receber nada
para si mesmo. No entanto, quando não encara isso, quer dizer, quando a
vivacidade e regozijo esfriam, o que é considerado não encarando, então se pode
ver seu verdadeiro estado com respeito à intenção de doar.
Baal haSulam. Shamati
15. "O Que são Outros Deuses na Obra "
Nós vemos
quantas pessoas–por gerações–se atormentaram com aflições e auto tormentos,
tudo para encontrar alguma rima ou razão no trabalho de Deus, ou para saber
quem era o dono do capital.
Porém, todos
eles desperdiçaram suas vidas e deixaram o mundo como vieram, sem encontrar
qualquer alívio. Por que o Criador não responde todas as suas orações? Por que
Ele foi tão altivo sobre eles, tão implacável? E qual é o nome dEle? “mais
orgulhoso do que todos os orgulhosos”. Este é o nome dEle (veja meu poema,
anexado a esta carta, que pergunta por quem o campo foi semeado, pois eu tenho
a resposta certa). Mas aqueles que sofrem os terrores e percebem este orgulho
removido sabem certamente que o Criador é removido deles, embora eles não
saibam porque Ele é removido.
O que os
poetas dizem sobre isto? Eles dizem que há um propósito sublime para tudo o que
acontece neste mundo, e isto é chamado “a gota da unificação”. Quando aqueles
habitantes das casas de barro passarem por todos estes terrores, por toda esta
totalidade, em Seu orgulho, que é removido deles, uma ventilação se abre nas
paredes de seus corações, que são firmemente fechados pela natureza da própria Criação,
e eles se tornam aptos para instilar aquela gota da unificação em seus
corações. Então eles são invertidos como uma substância impressa, e eles verão
evidentemente que é ao contrário–que era precisamente naqueles terríveis
horrores que eles percebiam a totalidade, que é removida pelo orgulho exterior.
Lá, e apenas lá, o Próprio Criador está agarrado, e lá Ele pode
incutir-lhes com a gota da unificação. Ele virou tudo ao redor deles de
tal forma que o mestre da unificação sabia que Ele havia encontrado um resgate
e uma ventilação aberta para incutir-lhe.
Isto é o que
está escrito no poema, “Tu circundas tudo e preenches tudo”. Durante o
atingimento, a abundância é sentida. Ela aparece e senta precisamente naquelas
contradições. Este é o significado de “mais terrível do que todos os terrores,
mais orgulhoso do que todos os orgulhosos”, e, naturalmente, “preenches tudo”.
O poeta sabia que Ele os preenchia abundantemente, e ninguém mais percebia as
delícias da unificação com Ele até lhe parecerem, no tempo de sua completude,
que as aflições que eles tinham sofrido tinham algum mérito, para valorizar o
sabor e o prazer da unificação com Ele. Seus próprios órgãos e tendões
dirão e atestarão que toda e cada pessoa no mundo cortaria suas mãos e pernas
sete vezes ao dia por um único momento em sua vida inteira, para provar tal
sabor.
Baal HaSulam, Carta 8