“E lá Israel acampou perante a montanha,” que nossos sábios interpretaram como “um homem com um coração.” Isto é porque toda e cada pessoa da nação completamente se separou a si mesma do amor próprio, e queria apenas beneficiar seu amigo, como nós mostrámos acima (Item 16) em respeito ao significado do Mitzva, “Ama teu amigo como a ti mesmo.” Acontece que todos os indivíduos na nação se juntaram e se tornaram um coração e um homem, pois apenas então estavam eles qualificados a receber a Torá.
(Baal HaSulam, "A Arvut (Garantia Mútua)" 23)
A raiz da Arvut [responsabilidade mútua] deriva principalmente da recepção da Torá, quando todos de Israel foram responsáveis uns pelos outros. Isto assim é porque na sua raiz, as almas de Israel são todas consideradas uma, dado que elas derivam da raiz da unidade. Por essa razão, todos de Israel são responsáveis uns pelos outros na recepção da Torá.
(Rabi Nachman de Breslau, Regras Sortidas, "Regras do Fiador," 5)
O todo de Israel e sua vitalidade cintila uns nos outros. Talvez seja este o significado de "Todos de Israel são responsáveis uns pelos outros," ou seja que suas luzes e vitalidade estão mescladas em uns e outros. Por esta razão, nós somos ordenados e insisto, nós os filhos de Israel, ao mandamento de amar verdadeiramente o nosso próximo como a nós próprios.
(Rabi Menachem Mendel de Vitebsk, Pri Haaretz, Letra Nº 33)
É impossível observar a Torá e Mitsvot [mandamentos/boas acções] senão através da Arvut [responsabilidade mútua], quando cada um se torna responsável pelo seu amigo. Uma vez que a essência da observação da Torá, que é o desejo, é através de união, qualquer um que deseje assumir sobre si o fardo da Torá e Mitsvot, que é principalmente superando o desejo, deve ser incluido no todo de Israel em grande união. Por esta razão, na altura da recepção da Torá, eles se tornaram imediatamente responsáveis uns pelos outros pois foram considerados como um. Precisamente com cada um ser responsável pelo seu amigo, que é a qualidade da união, especificamente com isto podem eles observar a Torá. Sem isso, não seria possível observar a Torá ou que se pareça, uma vez que o coração da observação da Torá, que é o desejo, é através da união, quando todos são considerados como um. Sucede-se que especificamente através da Arvut, que é quando todos são considerados como um, é o coração da observação da Torá, uma vez que a essência do amor e da unidade está no desejo, quando cada um fica agradado com o seu amigo e não há disparidade de desejo entre eles e todos estão incluidos em um desejo, pelo qual são incluidos no desejo superior, que é a união completa.
(Rabi Nachman de Breslau, Regras Sortidas, "Regras do Fiador," 5)
Isto serve para falar da Arvut (Garantia Mútua), quando todos de Israel se tornaram responsáveis um pelo outro. Porque a Torá não lhes foi dada a eles antes que todo e cada um de Israel foi questionado se ele concordava a tomar sobre si mesmo o Mitzva (preceito) de amar os outros na completa medida, expressa nas palavras: “Ama teu amigo como a ti mesmo”. Isto significa que todo e cada um em Israel tomaria sobre si mesmo a cuidar e trabalhar para cada membro da nação, e de satisfazer todas suas necessidades de cada, não menos que a medida impressa nele de cuidar de suas próprias necessidades. E assim que toda a nação unanimemente concordou e disse, “Nós faremos e nós escutaremos,” cada membro de Israel se tornou responsável que nada estivesse em falta de qualquer outro membro da nação. Apenas então se tornaram eles dignos de receber a Torá, e não antes. Com esta responsabilidade colectiva, cada membro da nação foi liberado de se preocupar sobre as necessidades de seu próprio corpo e poderia manter o Mitzva, “Ama teu amigo como a ti mesmo” na mais completa medida, e dar tudo o que ele tinha a qualquer pessoa necessitada, uma vez que ele não mais se preocupava com a existência do seu próprio corpo, pois ele sabia de certeza que ele estava rodeado de seiscentos leais amantes, que estavam prontos a providenciar para ele.
(Baal HaSulam, "A Arvut (Garantia Mútua)" 17)
É certo que se seissentos mil homens abandonam seu trabalho pela satisfação de suas próprias necessidades e não se preocupam com nada a não ser ficarem de guarda para se seus amigos nunca necessitem de uma coisa, e além do mais, que eles o manteriam com um poderoso amor, com todo o seu próprio coração e alma, no completo sentido do Mitzva, “Ama teu amigo como a ti mesmo,” então é sem dúvida que nenhum homem da nação precisará de se preocupar com o seu próprio bem estar. Devido a isso, ele torna-se completamente livre de assegurar a sua própria sobrevivência e pode facilmente manter o Mitzva, “Ama teu amigo como a ti mesmo” ... Afinal de contas, porque se preocuparia ele sobre sua própria sobrevivência quando seiscentos mil leais amantes estão por perto, prontos com grande cuidado para se certificarem que não lhe falta nada de suas necessidades? Desta forma, assim que todos os membros da nação concordaram, foi-lhes dada imediatamente a Torá, pois agora eles eram completamente capazes de a manter.
(Baal HaSulam, "Matan Torá (A Doação da Torá)" 16)
Todos de Israel são responsáveis um pelo outro, tanto no lado positivo e no lado negativo. No lado positivo, se eles mantêm a Arvut até que cada cuide e satisfaça as necessidades de seus amigos, eles podem manter na totalidade a Torá e Mitzvot, isto é trazer contentamento a seu Fazedor. E no lado negativo, se uma parte da nação não quer manter a Arvut, mas em vez disso escolhe chafurdar em amor próprio, eles causam ao resto da nação a permanecer na sua imundice e humildade sem sequer encontrarem uma saída de sua imundice. Desta forma, o Tana (Rabi Shimon Bar Yochai) descreveu a Arvut como duas pessoas num barco, quando uma delas começou a furar um buraco no barco. Seu amigo perguntou, “Porque estás tu a furar?” Ele respondeu, “O que é que isto lhe diz respeito? Eu estou a furar por baixo de mim, não por baixo de ti.” Então ele respondeu, “Tolo! Iremos ambos nos afogar juntos!”
(Baal HaSulam, "A Arvut (Garantia Mútua)" 17-18)
Isral são responsáveis uns pelos outros porque há verdadeiramente uma parte de cada um no seu amigo. Quando uma pessoa peca, ela se macula a si mesma e à parte do seu amigo dentro dela. Sucede-se que no que é relativo a essa parte, seu papel é responsável por ela e assim é com o resto deles uns com os outros. Por esta razão, a pessoa deve desejar o melhor do seu amigo e olhar favoravelmente para o benefício do seu amigo e sua glória deve ser tão valiosa para ela como a sua própria, porque ele é na realidade ela. Assim, nós fomos ordenados, "Ama teu próximo como a ti mesmo" e ela deve querer a integridade do seu amigo e não o condenar. Tal como o Criador não quer a nossa condenação ou nossa tristeza, ela não deve querer a condenação ou tristeza do seu amigo ou sua corrupção e isso vai afligi-la como se fosse consigo mesma na mesma tristeza ou alegria.
(RAMAK, Tomer Devorá, Capítulo 1, Parte 4, "O Remanescente da Sua Sorte")
Quando uma pessoa começa a sentir o amor do seu amigo, alegria e prazer imediatamente começam a despertar nele, pois a regra é que uma novidade entretém. O amigo de seu amigo é uma coisa nova para ele porque ele sempre soube que ele era o único que se preocupava com o seu próprio bem-estar. Mas no minuto em que ele descobre que o seu amigo se preocupa com ele, isso evoca imensurável alegria, e ele não mais se consegue preocupar consigo mesmo, uma vez que o homem só consegue trabalhar onde ele sente prazer. E dado que ele está a começar a sentir prazer ao se preocupar com o seu amigo, ele naturalmente não consegue pensar em si mesmo.
(RABASH, Carta Nº 40)